Política
Favorito de Lula em Minas, Pacheco encaminha troca do PSD pelo União Brasil
A intenção do presidente é montar um palanque robusto no estado, de olho em sua reeleição
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (MG) deve trocar o PSD de Gilberto Kassab pelo União Brasil. Para a mudança se concretizar, o parlamentar aguarda uma reunião com o presidente Lula (PT), que busca uma definição sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais.
Entre aliados, Pacheco afirma não ter interesse em seguir na vida política, apesar de movimentos recentes indicarem o oposto. A articulação para sua saída do PSD tem as digitais presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da cúpula do União, com o aval do presidente nacional da legenda, Antônio Rueda.
A permanência de Pacheco no PSD tornou-se inviável após o partido passar a abrigar o vice-governador Matheus Simões, pré-candidato ao Palácio Tiradentes com o apoio do governador Romeu Zema (Novo).
Em entrevista ao UOL nesta quinta-feira 5, Lula disse não ter desistido da candidatura de Pacheco. “Quero dizer em alto e bom som: eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas.”
No União Brasil, o movimento envolve também a reorganização interna em Minas. O comando estadual da sigla deve ficar com o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, o que amplia o espaço para uma eventual candidatura ao governo ou, alternativamente, para o fortalecimento da bancada no Congresso Nacional.
Do ponto de vista do Palácio do Planalto, Minas Gerais é considerada estratégica para a eleição presidencial. Lula tem reiterado a interlocutores o desejo de contar com Pacheco como cabeça de chapa no estado, mas a indefinição do senador levou setores da esquerda a avaliarem cenários alternativos, incluindo o apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
A última vez em que um candidato venceu as eleições presidenciais sem ganhar em Minas Gerais foi em 1950, quando Getúlio Vargas foi eleito presidente.
Enquanto espera pela conversa com Lula, Pacheco mantém o futuro em aberto. A filiação ao União Brasil é vista por aliados como positiva, independentemente da decisão sobre disputar o governo mineiro ou encerrar a trajetória eleitoral, deixando a definição concentrada em uma negociação direta com o presidente da República.
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