Exportações de armas crescem mais de 30% sob Bolsonaro, diz relatório britânico

O Brasil é o quarto maior exportador de armas de fogo e munições reais, atrás de EUA, Itália e Alemanha

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Política

Exportações de armas cresceram 30% no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, mostra um relatório da consultoria Omega Research Foundation, do Reino Unido, elaborado com apoio da Justiça Global e do Instituto Sou da Paz e divulgado nesta quinta-feira 16 pelo jornal Folha de S.Paulo. O estudo mostrou que o Brasil é o quarto maior exportador de armas de fogo e munições reais, atrás de EUA, Itália e Alemanha.

 

 

O valor movimentado pelas exportações de armas saltou de 915 milhões de dólares em 2018 para 1,3 bilhão em 2019. 

O documento, que menciona incentivos de “sucessivos governos brasileiros”, afirma que “mais recentemente, o setor de defesa foi ainda mais fortalecido pela eleição do presidente conservador Jair Bolsonaro, cujas políticas pró-militares ajudaram a garantir o apoio contínuo ao setor de defesa e criaram um ambiente político sensível às demandas do setor”.

De acordo com levantamento da Secretaria de Produtos de Defesa, em 2019 houve um aumento de 16% no número de empresas credenciadas para comercialização de armas na comparação com o ano anterior.

Além das armas de fogo e de munições, o País ainda produz e comercializa equipamentos irritantes químicos (como as bombas de gás lacrimogêneo), armas de eletrochoque, armas de impacto cinético (bastões, porretes, cassetetes), projéteis de impacto cinético (balas de borracha) e instrumento de contenção (algemas). 

No primeiro ano do governo Bolsonaro, houve um aumento de 21,8% no número de empresas que se beneficiam do regime de tributação do governo.

Segundo o relatório, a flexibilização das regras no governo Bolsonaro e os incentivos fiscais atraíram exportadores e produtores de materiais bélicos, que compõem parte da base de apoio do ex-capitão. 

A consultoria britânica cita como exemplo a participação de empresários do setor nas comitivas que acompanharam Bolsonaro em viagens oficiais à Índia e aos Emirados Árabes. Também aponta para o risco de emprego de armas em desacordo com os princípios dos direitos humanos e da exportação para países nos quais a democracia está ameaçada.

O estudo foi realizado durante o final de 2019 e o início de 2020, como parte de um projeto cofinanciado pela União Europeia. 

 

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Repórter do site de CartaCapital

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