Política
Exército nega insatisfação da alta cúpula com o ministro da Defesa
A participação de Nogueira na Comissão de Transparência das Eleições reverbera ataques infundados de Bolsonaro ao sistema eleitoral
O Exército divulgou uma nota nesta quinta-feira 20 para rebater – e classificar como fake news – uma coluna publicada por Valdo Cruz no site G1. No texto, o jornalista do Grupo Globo informa a insatisfação de militares da ativa do Alto Comando do Exército com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e com as reiteradas tentativas de lançar dúvidas sobre as urnas eletrônicas.
Segundo Cruz, militares da ativa relataram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) ultrapassou todos os limites ao reunir embaixadores em Brasília, na segunda-feira 18, para atacar ministros do Supremo Tribunal Federal e o próprio sistema eleitoral. A conduta do ex-capitão, acrescenta o jornalista, tem encontrado eco na postura de Nogueira, presente ao encontro de segunda.
O Centro de Comunicação Social do Exército, porém, disse repudiar a coluna do jornalista, “que parece buscar apenas a discórdia e a cisão entre os militares da ativa e Ministro da Defesa”.
Alega, ainda, que “disseminar desinformação somente contribui para instabilidade entre as Instituições e, consequentemente, entre os brasileiros”. E emenda: “O Exército Brasileiro ratifica o respeito de seus integrantes à hierarquia e à disciplina, garantindo que a coesão entre os militares é uma característica inalienável da Força Terrestre”.
Na semana passada, Nogueira compareceu à Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle do Senado e tentou negar que as “sugestões” das Forças Armadas ao Tribunal Superior Eleitoral sobre as urnas eletrônicas tenham “viés político”. A participação dos militares na Comissão de Transparência das Eleições, porém, reverbera ataques infundados do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema de votação.
Na audiência, Nogueira e o coronel Marcelo Nogueira de Souza chegaram a sugerir uma espécie de votação paralela em outubro, um teste a envolver uma segunda urna e cédulas de papel. Souza reconheceu avanços “incríveis” do TSE contra “ameaças externas”, mas alegou que as Forças Armadas não têm a mesma convicção sobre “uma ameaça interna”.
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