Justiça

Ex-mulher de Bolsonaro tem R$ 227 mil bloqueados pela Justiça Eleitoral

Valores foram indisponibilizados para garantir devolução de recursos do fundo eleitoral após rejeição das contas de Ana Cristina Valle, candidata derrotada ao Distrito Federal em 2022

Ex-mulher de Bolsonaro tem R$ 227 mil bloqueados pela Justiça Eleitoral
Ex-mulher de Bolsonaro tem R$ 227 mil bloqueados pela Justiça Eleitoral
Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução Instagram
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A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de 227 mil reais das contas da advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para garantir o ressarcimento de recursos públicos utilizados de forma irregular em sua campanha a deputada distrital pelo Distrito Federal nas eleições de 2022. A decisão foi tomada na fase de cumprimento de sentença, depois de a ex-candidata não devolveu os valores fixados após a rejeição definitiva de sua prestação de contas. 

A ordem foi proferida pelo desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, relator do processo no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Caso o bloqueio de valores em contas bancárias seja insuficiente para quitar a dívida, a execução poderá alcançar outros bens da ex-candidata, como veículos e imóveis. 

Ana Cristina disputou uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal pelo PP, utilizando recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Ela recebeu 1.485 votos e não foi eleita. Na análise das contas, o TRE-DF concluiu que parte relevante das despesas pagas com dinheiro público não foi devidamente comprovada.

Segundo o julgamento que rejeitou a prestação de contas, permaneceram sem comprovação gastos equivalentes a 134,4 mil reais à época – valor posteriormente atualizado para cerca de 227 mil reais. A área técnica da Corte identificou falhas em despesas com militância, alimentação, combustível, impulsionamento de conteúdo na internet, locação de bens e contratação de serviços, entre outras.

Em seu voto, o relator afirmou que as irregularidades “permeiam praticamente toda a gama de gastos de campanha”. Também registrou que houve “inúmeras contratações de pessoal para atividades de militância e mobilização de rua com documentação que não preenche os requisitos mínimos de comprovação”.

Para outro conjunto de despesas, a decisão aponta a ausência de documentos fiscais ou de outros meios capazes de demonstrar “o objeto efetivamente entregue ou o serviço prestado, bem como a sua finalidade eleitoral”. 

O desembargador destacou ainda que Ana Cristina foi intimada durante a tramitação do processo para apresentar esclarecimentos e documentos complementares, mas não respondeu às determinações da Justiça Eleitoral.

Segundo ele, a candidata não apresentou “qualquer justificativa, esclarecimento ou documento que pudesse sanar as graves falhas apontadas”, e essa postura demonstrou “descaso com o dever de transparência e com a correta aplicação do dinheiro público”. 

CartaCapital entrou em contato contato com o PP, partido de Ana Cristina Siqueira Valle, e não recebeu retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

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