Política

Ex-esposa de miliciano foi demitida por Queiroz para poupar Flávio Bolsonaro

Ministério Público aponta que Fabrício Queiroz demitiu a funcionária para evitar associações feitas entre a milícia, ele e Flávio

Flávio Bolsonaro e o ex-assessor, ex-amigo, ex-morista e ex-policial Fabrício Queiroz (Foto: Reprodução) Flávio Bolsonaro e o ex-assessor, ex-amigo, ex-morista e ex-policial Fabrício Queiroz. Ele contratava familiares de milicianos para trabalhar no gabinete do Flávio, mas este não sabia de nada. (Crédito: Reprodução)
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A ex-esposa de um miliciano foi demitida do gabinete do senador Flávio Bolsonaro após investigações apontarem irregularidades financeiras nas contas do seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, segundo informa reportagem do jornal O Globo desta quinta-feira 05.

Danielle Mendonça da Costa de Nóbrega é ex-esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, também conhecido como “Capitão Adriano”. Ele é apontado como um dos líderes do Escritório do Crime, uma quadrilha da zona oeste carioca, e está foragido da polícia, que apreendeu o celular de Danielle e teve acesso às mensagens trocadas entre ela e o ex-assessor.

Fabrício Queiroz entrou em contato com Danielle para informá-la da desoneração no dia que movimentações suspeitas foram identificadas nas contas dele. A justificativa foi a própria investigação. Procurado pela reportagem, Queiroz afirmou o conteúdo e disse que a exoneração foi feita para “evitar que se pudesse criar qualquer suposição espúria de um vínculo entre ele e a milícia”.

Danielle reclamou, depois, para o ex-marido, que teria dito que resolveria a situação, segundo fontes ouvidas pelo jornal. O celular dela foi apreendido pelo pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) durante a Operação “Os Intocáveis”, do Ministério Público do Rio de Janeiro, que aconteceu em janeiro e prendeu 13 milicianos. Adriano Nóbrega teve mandado de prisão decretado na época, mas não foi encontrado até hoje.

De acordo com a investigação do MP-RJ, Danielle não atuou, por mais de uma década, na função que ela supostamente ocupava dentro da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). De 6 de setembro de 2007 a 13 de novembro de 2018, ela não chegou a ter nenhum crachá no local, mas recebia  salário mensal de R$ 6.490,35.

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, também chegou a ter cargo no gabinete de Flávio. Movimentações do salário dela e de mais funcionários foram destaques das investigações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou a transferência de salários de assessores parlamentares para a conta de Fabrício Queiroz.

As investigações desse caso foram bloqueadas após decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu o uso de informações obtidas pelo órgão sem autorização judicial prévia.

CartaCapital
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