Justiça
Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro e mais 6 viram réus por ‘rachadinhas’ na Câmara do Rio
De acordo com as investigações do MP estadual, o grupo participava de esquema de devolução ilegal de parte dos salários de servidores
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia e tornou Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro (PL) na Câmara de Vereadores da capital fluminense, e outros seis ex-assessores réus por suposta participação em esquema de “rachadinha”. Eles responderão pelos crimes de organização criminosa e peculato, de acordo com a decisão do juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do TJ-RJ.
De acordo com as investigações do MP estadual, o grupo participava de esquema de devolução ilegal de parte dos salários de servidores ao responsável pela nomeação aos cargos, Jorge Luiz, em fraude que teria movimentado cerca de 1,9 milhão de reais entre 2005 e 2021 — ou seja, desde o primeiro mandato do filho de Jair Bolsonaro (PL) na Casa.
Ao receber a denúncia, o magistrado do caso destacou a existência de “justa causa” para dar seguimento ao processo. Os acusados têm 10 dias para apresentar suas defesas.
Nomeado para a chefia do gabinete de Carlos em 2018, Jorge Luiz Fernandes seria o “líder e mentor da organização”, tendo articulado a contratação dos demais denunciados. Entre os acusados que viraram réus, está a esposa dele, Regina Célia, que, segundo as investigações, repassou mais de 800 mil reais para a conta do marido. Outra assessora, Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, teria movimentado cerca de 650 mil reais, entre saques e transferências para Jorge.
A denúncia do MP foi apresentada em setembro de 2024. Na ocasião, o órgão arquivou as apurações contra Carlos Bolsonaro por entender que não havia elementos suficientes para acusá-lo criminalmente. O juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga, no entanto, discordou dos argumentos apresentados para o arquivamento e o caso foi reaberto.
O filho do ex-presidente, que exerceu mandato na Câmara Municipal do Rio por sete legislaturas consecutivas, deixou o cargo de vereador no fim de 2025 e disputará uma vaga no Senado por Santa Catarina nas eleições deste ano.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Flávio tenta derrubar post que o liga a ‘rachadinha’, mas juiz rejeita
Por CartaCapital
Metade dos catarinenses vê ‘oportunismo’ de Carlos Bolsonaro, indica pesquisa
Por CartaCapital


