Política

‘Eu prefiro o caminho da revisão’, diz vice-presidente do PT sobre o futuro da reforma trabalhista

Em entrevista a CartaCapital, José Guimarães defendeu a criação de uma comissão tripartite e cogitou o ‘aproveitamento’ de pontos da reforma

O vice-presidente nacional do PT, José Guimarães. Foto: Reprodução
O vice-presidente nacional do PT, José Guimarães. Foto: Reprodução
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O vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, José Guimarães, afirmou que prefere “o caminho da revisão” da reforma trabalhista aprovada em 2017, em vez da revogação. A declaração ocorreu nesta sexta-feira 21, em entrevista ao programa Direto da Redação, no canal de CartaCapital no YouTube.

Guimarães foi questionado se um eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretenderia revogar ou revisar a reforma trabalhista do governo de Michel Temer (MDB). O debate foi levantado após o ex-presidente ter elogiado o processo de “revogação” da reforma trabalhista na Espanha, mas depois dar sinais de que pode evitar a revogação na íntegra.

“Eu prefiro o caminho da revisão”, disse o vice-presidente do PT. “Eu prefiro o caminho de pegarmos as reformas que foram feitas e retirar delas tudo aquilo que quebrou, que não serviu ao País.”

Crítico à reforma trabalhista, conforme demonstrou em artigo publicado nesta semana em CartaCapital, Guimarães disse que a prioridade é rever a prevalência do acordado sobre o legislado, porque não há garantias de equilíbrio na relação entre empresas e empregados.

“Tudo isso precisa ser revogado. Se você me pergunta: o que deve ser aproveitado? Talvez alguma coisa do ponto de vista da CLT”, disse. “Recuperar o papel da legislação trabalhista, mas também fazer alguns ajustes para não pender só para um lado. Talvez eu iria por aí.”

Segundo o vice-presidente do PT, a ideia é identificar os pontos que precisam ser reformados, “preservando o interesse de uma eventual comissão tripartite”, ou seja, um acordo entre trabalhadores, empresários e o governo.

Para ele, há a possibilidade de discutir a realização de um plebiscito ou um referendo para consultar a população sobre a necessidade de revogar ou não a reforma trabalhista, mas afirmou preferir a alternativa da “reforma das reformas”.

Em relação à possibilidade de o ex-tucano Geraldo Alckmin representar uma limitação na revisão da reforma, Guimarães disse que “o programa de reconstrução e transformação do Brasil é inegociável”. Também citou a pretensão de derrubar o teto de gastos, aprovado sob o governo Temer para congelar investimentos públicos.

O vice-presidente do PT sugeriu que Alckmin pode oferecer “governabilidade” para a gestão de Lula.

“Eu acho que nós temos que dar liberdade para o Lula constituir a melhor chapa para ganhar e governar o Brasil. Porque o Lula sabe lidar com o Congresso Nacional, o Lula sabe lidar com as diferenças, sabe lidar com o empresariado. Evidentemente ele tem um compromisso número um com a classe trabalhadora e com os que estão precisando de um Estado forte.”

“O Lula está muito nessa ideia de buscar um vice que amplie, que dê governabilidade. Eu não vejo necessidade de a gente inventar polêmica agora se deve ou não. O que vai balizar as alianças é o programa”, prosseguiu Guimarães.

Como mostrou CartaCapital, o processo espanhol citado por Lula é analisado com divergências entre a própria esquerda do país. Alguns setores apontam a manutenção de itens da reforma trabalhista aprovada em 2012 na Espanha, devido à pressão do empresariado e da União Europeia.

Para Guimarães, o caso espanhol é “um bom começo”.

“Uma comissão tripartite, um governo legitimado pelas urnas, com credibilidade. Nós temos que mobilizar o mundo todo para ajudar o Brasil a sair dessa encalacrada em que o Bolsonaro meteu o nosso País”, completou.

Confira a seguir a entrevista na íntegra.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

Maurício Thuswohl
Repórter da edição impressa de CartaCapital no Rio de Janeiro

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