Política

‘Está provado que temos chances concretas de ganhar’, diz Lula sobre pesquisas

Em entrevista a uma rádio no Ceará, o petista também disse serem pequenas as chances de uma candidatura da terceira via romper o atual cenário: ‘Nunca aconteceu’

Foto: Reprodução
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta quinta-feira 7, o resultado das recentes pesquisas de intenção de voto – que o colocam em primeiro lugar em todos os cenários e em ambos os turnos. Para ele, apesar das variações nos resultados de diferentes institutos, o ‘dado concreto’ dos levantamentos é que ele tem chances de voltar ao governo, dada a inexpressividade da terceira via e a alta rejeição ao governo Jair Bolsonaro (PL).

A avaliação foi feita em entrevista à Rádio Jangadeiro, de Fortaleza, no Ceará, poucas horas após a divulgação do levantamento da Quaest, em que ele aparece com 45% das intenções de voto contra 31% do ex-capitão. Na quarta-feira 6, as pesquisas do instituto Ipespe e da Paraná Pesquisas também confirmaram a liderança de Lula na disputa presidencial.

“É tanta pesquisa que a gente não consegue acompanhar direito. Aqui em São Paulo tem dias que a gente lê três ou quatro no mesmo dia, uma feita por telefone, outra pessoalmente, e cada uma traz um número. Mas, o dado concreto é que já está provado que nós temos chances concretas de ganhar as eleições nesse país”, avaliou.

Para o petista, a disputa se dará entre ele e Bolsonaro pela inexpressividade da terceira via. Para vencer, segundo relatou, conta com a rejeição ao governo do ex-capitão, que hoje ainda beira os 50%, a boa avaliação dos seus governos de 2002 a 2010 e com o ‘legado autoritário’ da atual gestão.

“A situação é: a gente tem um presidente que tem se mantido na casa dos 25% ou 30% aceitação e você tem um candidato de oposição que se mantém na média de 45% de aprovação. Então, a disputa vai se dar aí, entre a democracia e o autoritarismo. Entre a democracia do desenvolvimento e um governo autoritário, como é o atual governo brasileiro” concluiu.

Provocado sobre as chances de um nome da chamada terceira via romper com esta tendência de disputa entre ele e Bolsonaro, Lula minimizou e disse considerar que esse segmento sequer existe na atual eleição.

“Essa história de terceira via, eu ouço dizer desde pequeno, quando houve a revolução russa que o mundo ficou dividido entre os socialistas e os capitalistas, entre a social-democracia e o comunismo. Em meio a tudo isso, dizia-se ser preciso criar uma terceira via e isso nunca aconteceu”, destacou Lula. “A verdade é que o povo vai escolher entre os candidatos que tenham possibilidade de ganhar as eleições. Candidato a gente não inventa ou compra no Mercado Livre. Candidato é quem tem estrutura partidária ou econômica”, concluiu sobre o tema.

Lula também comentou uma constatação secundária da pesquisa Ipespe, que indica que ele é considerado o melhor presidente da história do Brasil desde a Nova República – 46% dos entrevistados fizeram essa indicação. Já Bolsonaro foi considerado o pior governante do País.

“Eu fico feliz, porque tinham pessoas que trabalhavam com a ideia de que eu tinha acabado para a política e o PT tinha acabado. Mas nós estamos vivos e disputando. Eu fico feliz de ver uma pesquisa, depois de 12 anos e de tudo o que fizeram comigo, que eu ainda sou considerado o melhor presidente da história desse país. Me deixa muito orgulhoso”, comentou Lula.

As razões para uma chapa com Alckmin

Em relação à provável aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) Lula afirmou que, a composição, se formalizada, será um gesto aos eleitores democráticos que não são petistas.

“Será um gesto e uma contribuição de uma parcela da sociedade que não é petista, que possivelmente não votaria em mim, para que a gente possa ganhar as eleições e montar a estrutura para recuperar o nosso Brasil”, destacou. “Por isso acho que essa aliança será forte, vitoriosa e irá falar praticamente com todos os espectros da sociedade brasileira”, acrescentou em seguida.

Um pouco antes, Lula também se dirigiu a opositores da aliança dentro do próprio partido. “[A aliança com Alckmin] deve gerar no nosso eleitor a certeza de que não estamos apenas preocupados em ganhar as eleições, mas estamos sobretudo preocupados em governar esse país”.

Alckmin deve ser oficialmente indicado pelo PSB na sexta-feira 8 como postulante a vice na chapa com Lula. A indicação ainda passará pelo crivo do PT e dos partidos que integram a federação, o PCdoB e o PV. Segundo sinalizou Lula, a avaliação de Alckmin tende a ser feita rapidamente e durar poucos dias.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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