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Entusiasmar o eleitor a sair de casa será decisivo para Lula (e também para Flávio), diz analista do AtlasIntel

Para Yuri Sanches, caiu o interesse pela eleição em comparação com a mobilização que marcou 2022

Entusiasmar o eleitor a sair de casa será decisivo para Lula (e também para Flávio), diz analista do AtlasIntel
Entusiasmar o eleitor a sair de casa será decisivo para Lula (e também para Flávio), diz analista do AtlasIntel
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert e Sergio Lima/AFP
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Eleições 2026

Apesar de seguir na liderança da disputa pela Presidência, Lula (PT) tem o desafio de mobilizar eleitores sinalizando o que um eventual quarto mandato ofereceria para o futuro. A aposta é de Yuri Sanches, chefe de Risco Político e Análise Política do instituto AtlasIntel.

Segundo uma pesquisa divulgada pelo instituto nesta segunda-feira 31, Lula desponta no primeiro turno com 43,4% das intenções de voto, ante 33,7% do segundo colocado, Flávio Bolsonaro (PL). Em um eventual segundo turno, o presidente venceria o senador por 47,1% a 42,6%.

Em relação à rodada anterior, do fim de julho, Lula recuou 1,6 ponto, enquanto Flávio caiu 2,3 pontos no primeiro turno. O crescimento mais expressivo foi o de Augusto Cury (Avante), de 1,6% para 7,8%.

Yuri Sanches avalia que o interesse pela eleição de 2026 caiu na comparação com o pleito de quatro anos atrás, no qual havia fatores extraordinários como a defesa da democracia e o retorno de Lula, após a recuperação de seus direitos políticos.

“Uma campanha pautada pura e simplesmente no histórico do Lula enquanto presidente não seria, por si só, suficiente para gerar uma virada de chave no eleitor indeciso ou independente”, diz o analista em entrevista a CartaCapital“A democracia, na cabeça do eleitor, foi resolvida em 2022. Não houve novas ameaças.”

A falta de mobilização do eleitorado também atinge a campanha de Flávio, acrescenta Sanches. Enquanto o presidente tem de lidar com o desgaste provocado pelas investigações da Polícia Federal sobre seu filho mais velho, o senador não consegue se descolar do escândalo em torno do filme Dark Horse e de seus vínculos com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“O caso do envolvimento com Vorcaro o atingiu com força. E Flávio não seria o principal nome da direita para competir: não é o mais carismático dos bolsonaristas, não é aquele que mais ativa a base bolsonarista e não é o que gera mais entusiasmo na direita não-bolsonarista.”

De acordo com o levantamento AtlasIntel, o candidato do PL tem 45,7% das intenções de voto na direita não bolsonarista. Entre os eleitores independentes, Lula lidera por 38,2% a 26% — neste universo, Cury é o terceiro, com 19,2%.

“Quando há casos que geram ruídos sobre a honestidade dele, fica mais difícil construir a imagem de Bolsonaro moderado”, completa Sanches. “Ele pode ser o Bolsonaro moderado, mas, se for visto como o Bolsonaro corrupto, perderá um ativo muito importante que o bolsonarismo teve ao longo dos últimos anos para lutar eleitoralmente contra o PT.”

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