Empresa de lobista investigado na CPI tinha ‘enorme entrada’ na Presidência, apontam mensagens

Trocas de mensagens aprendidas em outra investigação trazem evidências da influência de Marconny Faria no Planalto

Empresa de lobista investigado na CPI tinha ‘enorme entrada’ na Presidência, apontam mensagens

Política

Novos mensagens comprovam a influência do lobista Marconny Faria junto ao governo federal de Jair Bolsonaro. Conversas apreendidas pelo Ministério Público Federal no Pará em 2019 apontam que uma empresa ligada a Faria seria ‘forte’ em Brasília e com ‘enorme entrada’ na Presidência. As mensagens foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira 21.

O lobista é alvo da CPI da Covid pela intermediação da negociação com a Precisa Medicamentos e suspeito de ‘vender’ cargos no governo federal usando a influência da advogada do presidente, Karina Kufa. A atuação de Faria na abertura da empresa do filho do presidente, Jair Renan, também é alvo de suspeita, já que a Bolsonaro Jr Eventos é investigada por tráfico de influência em Brasília. Marconny Faria já foi ouvido pela CPI e ainda tem outras irregularidades e ligações com Bolsonaro no ‘currículo’.

A empresa ‘forte’ mencionada nas mensagens é a Gygha Administração Empresarial, que tem como único sócio o motorista de Marconny, Arthur Souza Cirilo, contratado oficialmente em outra empresa do lobista. Apesar de não ser dono da Gygha no papel, Faria é apontado como procurador da empresa na Junta Comercial e no Banco do Brasil. Gygha é seu apelido.

A Gygha foi a empresa usada por Marconny para receber os 400 mil reais para ‘indicar’ um cliente a um cargo em um instituto do governo federal. Nas mensagens, o servidor do Instituto Evandro Chagas, no Pará, Marcio Roberto Teixeira Nunes e o empresário José Ferreira da Silva Filho, dono da Ferpel Comércio e Representação, trocam informações do andamento da negociação pelo cargo.

Nunes, que seria o nomeado ao cargo de diretor, pede os depósitos ao empresário, os valores são chamados de ‘incentivos’. Silva Filho pede então o rápido andamento das nomeações de Nunes e de Jorge Travassos, outro aliado. Preocupado com a demora, o empresário questiona e recebe a resposta que indicam a influência do lobista junto ao governo federal.

“Quanto à Gygha, eles são fortes. Têm enorme entrada na Casa Civil. E na Presidência. Eles que nos puseram lá dentro. Por isso, acredito neles. Apenas é angustiante a demora”, explica Nunes. A Casa Civil era ocupada na ocasião por Onyx Lorenzoni, atual ministro do Trabalho.

Dias depois, Nunes acalma novamente o cliente: “Tivemos acesso ao prédio da Presidência da República. Falamos com muita gente grande e que nos apoiaram”, diz. “O grupo que nos auxilia é muito forte dentro do governo”, completa o servidor.

Após o pagamento e atuação de Marconny junto a Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro, Nunes é então nomeado no instituto. O servidor, no entanto, foi exonerado meses depois pelo envolvimento em um esquema de propina que movimentou 1,6 milhão de reais.

As mensagens apreendidas fazem parte da investigação do esquema de corrupção que funcionava no instituto. Assim como no depoimento à CPI, Marconny optou por não se manifestar para não se incriminar. Já o Palácio do Planalto não respondeu à reportagem.

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