Justiça
Em tom de campanha, Flávio Bolsonaro diz que subirá rampa do Planalto em 2027 junto do pai
Senador e pré-candidato à Presidência discursou na Avenida Paulista ao lado de governadores e lideranças do PL; manifestação teve críticas a Lula e a ministros do STF
A manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reuniu apoiadores da direita na tarde deste domingo 1º, na Avenida Paulista, em São Paulo, com críticas ao presidente Lula (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal. O ato, batizado de “Acorda Brasil”, também defendeu anistia aos golpistas de 8 de Janeiro e a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em discurso com forte tom eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, projetou o retorno do pai ao centro do poder. “Quero compartilhar com vocês o que eu disse para o meu pai agora na quarta-feira, olhando no olho dele. Eu falei: ‘pai, em janeiro de 2027 você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro’”, afirmou.
Flávio agradeceu a presença dos governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos cotados para a disputa presidencial, e disse que a participação conjunta não caracterizava campanha antecipada. “Caiado a sua presença aqui e o Zema prova que isso aqui não é um ato eleitoral. Que aqui [tem] dois pré-candidatos juntos. Não estamos disputando votos, estamos aqui pensando no que é melhor para o nosso País.”
O senador também defendeu a derrubada do veto presidencial ao projeto de dosimetria relacionado aos condenados pelo 8 de Janeiro e afirmou que a prioridade do grupo é a anistia. “A gente tem uma batalha pela frente agora que é derrubar esse veto covarde de Lula sobre o projeto de dosimetria […]. Esse primeiro passo vai ser dado em breve e muitas pessoas do 8 de Janeiro vão poder ir para suas casas”, declarou. Ele acrescentou que o ex-presidente teria apoiado a medida mesmo sem ser beneficiado diretamente.
Ao longo do discurso, Flávio criticou políticas do governo federal e fez comparações com a gestão anterior, citando valores do Bolsa Família e gastos do cartão corporativo da Presidência. Também afirmou que o impeachment de ministros do STF depende de mudança na composição do Senado e convocou eleitores a escolher candidatos comprometidos com essa pauta.
Quem mais falou
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), reforçou o discurso de anistia e mencionou aliados do ex-presidente. “Em outubro Flávio bolsonaro vem aí para mudar essa história. Nós estamos aqui hoje para lembrar dos presos políticos e dizer que nós enquanto não derrubarmos o veto do descondenado Lula para soltar todos os brasileiros inocentes, nós não vamos sossegar porque o que nós queremos é a anistia já.”
Em fala direcionada ao senador, Caiado afirmou que há convergência entre os governadores presentes. “Flávio bolsonaro, meu amigo senador da república e pré-candidato, saiba que eu ao meu lado também [tem] o governador de Minas gerais, nós estamos com o mesmo objetivo. Aquele que chegar lá [vencer as eleições presidenciais], eu já disse, o primeiro ato será anistia plena, geral e restrita no 1º de janeiro de 2027.”
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que participou por vídeo chamada dos Estados Unidos, associou a eleição ao avanço da pauta da anistia. “Isso não é sobre partido político. Isso não é sobre eleição. A eleição é só um caminho mais rápido para levar à justiça que vai ser traduzida na anistia, com a eleição do Flávio bolsonaro presidente e com a bancada de senadores e deputados federais fortes e valentes.”
Responsável pela convocação do ato, Nikolas Ferreira direcionou críticas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, defendendo o afastamento de integrantes da Corte e relacionando o inquérito das fake news às decisões do Supremo. Ele também convocou apoiadores a se mobilizarem contra o PT nas eleições deste ano.
A manifestação teve concentração nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo, com trio elétrico e cartazes contra o governo e o STF. Muitos manifestantes celebravam as falas das lideranças com gritos e aplausos. No meio do público, eram visíveis bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos.
O ato ocorre em meio a movimentações internas no campo da direita para a disputa presidencial de 2026 e foi tratado por parte das lideranças como demonstração de força política e tentativa de unificação do grupo em torno da pauta da anistia e da oposição ao governo federal.
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