Justiça

Em tom de campanha, Flávio Bolsonaro diz que subirá rampa do Planalto em 2027 junto do pai

Senador e pré-candidato à Presidência discursou na Avenida Paulista ao lado de governadores e lideranças do PL; manifestação teve críticas a Lula e a ministros do STF

Em tom de campanha, Flávio Bolsonaro diz que subirá rampa do Planalto em 2027 junto do pai
Em tom de campanha, Flávio Bolsonaro diz que subirá rampa do Planalto em 2027 junto do pai
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro em ato na Avenida Paulista. Foto: Divulgação Ascom Flávio Bolsonaro
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Eleições 2026

A manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reuniu apoiadores da direita na tarde deste domingo 1º, na Avenida Paulista, em São Paulo, com críticas ao presidente Lula (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal. O ato, batizado de “Acorda Brasil”, também defendeu anistia aos golpistas de 8 de Janeiro e a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em discurso com forte tom eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, projetou o retorno do pai ao centro do poder. “Quero compartilhar com vocês o que eu disse para o meu pai agora na quarta-feira, olhando no olho dele. Eu falei: ‘pai, em janeiro de 2027 você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro’”, afirmou.

Flávio agradeceu a presença dos governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos cotados para a disputa presidencial, e disse que a participação conjunta não caracterizava campanha antecipada. “Caiado a sua presença aqui e o Zema prova que isso aqui não é um ato eleitoral. Que aqui [tem] dois pré-candidatos juntos. Não estamos disputando votos, estamos aqui pensando no que é melhor para o nosso País.”

O senador também defendeu a derrubada do veto presidencial ao projeto de dosimetria relacionado aos condenados pelo 8 de Janeiro e afirmou que a prioridade do grupo é a anistia. “A gente tem uma batalha pela frente agora que é derrubar esse veto covarde de Lula sobre o projeto de dosimetria […]. Esse primeiro passo vai ser dado em breve e muitas pessoas do 8 de Janeiro vão poder ir para suas casas”, declarou. Ele acrescentou que o ex-presidente teria apoiado a medida mesmo sem ser beneficiado diretamente.

Ao longo do discurso, Flávio criticou políticas do governo federal e fez comparações com a gestão anterior, citando valores do Bolsa Família e gastos do cartão corporativo da Presidência. Também afirmou que o impeachment de ministros do STF depende de mudança na composição do Senado e convocou eleitores a escolher candidatos comprometidos com essa pauta.

Quem mais falou

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), reforçou o discurso de anistia e mencionou aliados do ex-presidente. “Em outubro Flávio bolsonaro vem aí para mudar essa história. Nós estamos aqui hoje para lembrar dos presos políticos e dizer que nós enquanto não derrubarmos o veto do descondenado Lula para soltar todos os brasileiros inocentes, nós não vamos sossegar porque o que nós queremos é a anistia já.” 

Em fala direcionada ao senador, Caiado afirmou que há convergência entre os governadores presentes. “Flávio bolsonaro, meu amigo senador da república e pré-candidato, saiba que eu ao meu lado também [tem] o governador de Minas gerais, nós estamos com o mesmo objetivo. Aquele que chegar lá [vencer as eleições presidenciais], eu já disse, o primeiro ato será anistia plena, geral e restrita no 1º de janeiro de 2027.”

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que participou por vídeo chamada dos Estados Unidos, associou a eleição ao avanço da pauta da anistia. “Isso não é sobre partido político. Isso não é sobre eleição. A eleição é só um caminho mais rápido para levar à justiça que vai ser traduzida na anistia, com a eleição do Flávio bolsonaro presidente e com a bancada de senadores e deputados federais fortes e valentes.”

Responsável pela convocação do ato, Nikolas Ferreira direcionou críticas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, defendendo o afastamento de integrantes da Corte e relacionando o inquérito das fake news às decisões do Supremo. Ele também convocou apoiadores a se mobilizarem contra o PT nas eleições deste ano.

A manifestação teve concentração nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo, com trio elétrico e cartazes contra o governo e o STF. Muitos manifestantes celebravam as falas das lideranças com gritos e aplausos. No meio do público, eram visíveis bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos.

O ato ocorre em meio a movimentações internas no campo da direita para a disputa presidencial de 2026 e foi tratado por parte das lideranças como demonstração de força política e tentativa de unificação do grupo em torno da pauta da anistia e da oposição ao governo federal.

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