Em mensagens, procuradores da Lava Jato ridicularizam Lula e Marisa

Nas conversas, chegaram a chamar a ex-primeira dama de brega e se referiam ao ex-presidente, que não tem um dos dedos da mão, como 9

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Justiça,Política

Os procuradores da Força-tarefa da Operação Lava Jato, em conversas em um aplicativo de mensagens, ridicularizaram o ex-presidente Lula e a a ex-primeira dama Marisa Leticia, que morreu aos 66 anos, em fevereiro de 2017, devido a complicações de um Acidente Vascular Cerebral.

Nas mensagens, o procurador Deltan Dallagnol chamava o petista de 9, em referência ao fato de Lula ter perdido um dos dedos em um acidente de trabalho.

“Caros, peço um especial favor a todos: ninguém falar com a imprensa sem falar com CF [procurador Carlos Fernando dos Santos Lima]. Especialmente em relação ao caso do 9, não pode vazar nada, nem quanto à preparação, nem quanto ao planejemento, ou à divisão de trablaho (sic)”, escreveu Deltan por volta das 23h45 do dia 17 de março de 2016.

 

 

Ao longo de vários dias de conversas, outros integrantes do grupo usavam memes para ironizar o ex-presidente.

No dia 14 de março de 2016, às 21h31, o procurador  Roberson Pozzobon escreveu: “começaram os memes”.

 

Dois dias depois, o mesmo Roberson pergunta: “viram essa?”

 

Naquele dia, 16 de março de 2016, entre um meme e outro, as conversas se davam sobre a retirada do sigilo, após autorização do ex-juiz Sergio Moro, de interceptações telefônicas do ex-presidente.

As conversas, gravadas pela Polícia Federal, incluíam um diálogo com a ex-presidente Dilma Rousseff, que havia nomeado Lula como ministro chefe da Casa Civil.

No despacho à época, Moro afirmou que, “pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, reagiu e afirmou que a divulgação do áudio da conversa entre a era uma ‘arbitrariedade’ e estimula uma ‘convulsão social’.

No grupo dos procuradores, Deltan mostrou preocupação com os questionamentos legais em relação à decisão de Moro, mas comemorou quando viu os diálogos na Globonews. “Ótimo dia”, escreveu.

 

 

Outros procuradores temiam uma série de questionamentos que Moro poderia enfrentar.

O integrante identificado como Orlando afirmou que “estava preocupado” com o então juiz responsável pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

“Estou preocupado com moro! Com a fundamentação da decisão. Vai sobrar representação para ele. Vai sim. E contra nós. Sabíamos disso”, escreveu às 21h06.

 

 

 

No dia 4 de fevereiro de 2016, Deltan compartilhou uma outra imagem ironizando o ex-presidente.

 

‘Achei o sítio deprimente’

No dia 4 de março de 2016, após varredura da Polícia Federal no sítio frequentado por Lula, em Atibaia (SP), o procurador Januário Paludo compartilhou as impressões do que encontrou no local.

“Sem duvida o sítio e do lula, peq (sic) A roupa de mulher era muito brega. Decoração horrorosa. Muitos tipos de aguardente. Vinhos de boa qualidade, mas mal conservados. Achei o sítio deprimimente (sic). Local para pouso de helicóptero confirmado à esquerda da entrada em campo de futebol, para helicóptero pequeno”, escreveu às 20h50.

“O que mais tinha era boné do MST”, continuou Paludo.

Na data, Lula foi levado a São Paulo coercitivamente para prestar depoimento à polícia. A ação fez parte da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia.

As conversas desta matéria constam em material apreendido pela PF na Operação Spoofing, que prendeu suspeitos de invadir os celulares de Moro e de procuradores.

O sigilo de parte  do conteúdo foi levantado na última segunda-feira 1 pelo ministro Ricardo Lewandowiski, do Supremo Tribunal Federal.

Os procuradores da força-tarefa de Curitiba não têm se manifestado sobre o material divulgado. Na quarta-feira 3, a mulher do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, a advogada Rosangela Moro, apresentou uma reclamação ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, pedindo que seja revogada a liminar do ministro Ricardo Lewandowski que deu à defesa de Lula acesso à troca de mensagens entre ele e os procuradores.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

Compartilhar postagem