Em meio a escândalo, Geddel abandona o governo Temer

Política

Geddel Vieira Lima não é mais o ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer. O político baiano pediu demissão nesta sexta-feira 25, após ser o pivô do maior escândalo dos seis meses de administração do PMDB, no qual foi acusado de abuso de poder pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.

“Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que eu suporto. É hora de sair”, escreveu Geddel em carta enviada a Temer. 

O agora ex-ministro afirma que o “Brasil é maior que tudo isso” e que seguirá como “ardoroso torcedor do nosso governo”. “Fiz minha mais profunda reflexão e fruto dela apresento aqui este meu pedido de exoneração do honroso cargo que com dedicação venho exercendo”, afirmou.

O caso envolvendo Geddel veio à tona em 19 de novembro e, na quinta-feira 24, chegou a Michel Temer. Calero afirmou que foi convocado por Temer ao Palácio do Planalto em 17 de novembro e que foi “enquadrado” pelo presidente, ansioso para resolver uma disputa entre Calero e Geddel.

Segundo contou Calero à Polícia Federal, Temer afirmou que a disputa havia criado “dificuldades operacionais” em seu gabinete posto que “o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado.” Assim, Temer pediu a Calero que enviasse o caso para a Advocacia-Geral da União (AGU) “porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução”.

Os dois ministros se desentenderam por conta da construção do empreendimento de luxo La Vue Ladeira da Barra, em Salvador. Localizado em meio a locais históricos da capital baiana, o prédio foi projetado para ter 30 andares, uma altura que destoaria do restante da região e descaracterizaria o local. Por conta disso, em 2014 o projeto recebeu parecer contrário do Escritório Técnico de Licenciamento e Fiscalização de Salvador (Etelf).

 

 

A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) da Bahia, entretanto, deu parecer favorável à obra, e extinguiu o Etelf. A construção, então, foi autorizada pela prefeitura da capital, comandada por ACM Neto, aliado de Geddel Vieira Lima.

Ocorre que o Iphan nacional, subordinado ao Ministério da Cultura, cassou o parecer favorável à obra concedido pelo Iphan baiano, determinando que a construção fosse suspensa e o projeto, readequado para ter 13 andares e não 30. 

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