Em carta, CPI da Covid cobra que Bolsonaro rompa o silêncio sobre acusação de Luis Miranda

'Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará', dizem senadores ao presidente

Foto: Pedro França/Agência Senado

Foto: Pedro França/Agência Senado

Política

O comando da CPI da Covid encaminhou nesta quinta-feira ao presidente Jair Bolsonaro uma carta em que cobra explicações sobre as acusações feitas pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

 

Assinado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), pelo vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o texto recorda que Miranda e seu irmão, o servidor da Saúde Luis Ricardo Miranda, descreveram em depoimento à comissão “em detalhes o encontro que mantiveram com Vossa Excelência, no Palácio da Alvorada, no dia 20 de março de 2021, ocasião na qual teriam lhe alertado a respeito de vícios insanáveis e indícios de ilegalidades na documentação referente à importação de 20 milhões de doses da vacina Covaxin”.

Os senadores lembram ainda que, segundo Miranda, Bolsonaro mencionou o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ao ser informado sobre as suspeitas.

“Solicitamos, em caráter de urgência, diante da gravidade das imputações feitas a uma figura central desta administração, que Vossa Excelência desminta ou confirme o teor das declarações do deputado Luis Miranda”, pedem os senadores.

Omar, Randolfe e Renan reforçam que, treze dias após a oitiva dos irmãos Miranda, Bolsonaro não atestou de forma categórica a validade ou não das acusações.

“Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo em uma função proeminente”.

Caso se mantenha em silêncio, Bolsonaro gerará uma situação duplamente perturbadora, segundo os senadores. Primeiro, contribuirá “para a execração do deputado Ricardo Barros”; segundo, impedirá “que sejam tomadas medidas disciplinares pertinentes” caso as alegações de Miranda sejam mentirosas.

Leia a íntegra da carta, concluída com uma das frases mais repetidas por Jair Bolsonaro: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”:

 

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