Justiça
Em áudio, Bolsonaro diz que Witzel prometeu ‘resolver’ o caso de Flávio em troca de uma vaga no STF
A gravação consta do material obtido pela Polícia Federal na investigação sobre o suposto esquema de espionagem ilegal na Abin
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou em uma reunião de agosto de 2020 que o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel prometeu “resolver”, em troca de uma indicação para o Supremo Tribunal Federal, o caso sobre a suposta prática de rachadinha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A gravação do encontro consta do material obtido pela Polícia Federal na investigação sobre um suposto esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, durante o governo Bolsonaro.
“O ano passado, no meio do ano, encontrei com o Witzel, não tive notícia [inaudível] bem pequenininho o problema. Ele falou, resolve o caso do Flávio. ‘Me dá uma vaga no Supremo'”, diz Bolsonaro no áudio.
Presentes na reunião gravada, as advogadas de Flávio se surpreenderam. “Olha isso”, disse uma delas. “Sede de poder”, acrescentou o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. “Sede de poder”, endossou Bolsonaro, que completou: “Então, você sabe o que vale você ter um ministro irmão teu no Supremo”.
Na sequência, Bolsonaro explica que “é o Flávio Itabaiana [inaudível], é o Flávio Itabaiana”, ao que uma advogada emenda: “Ele prometeu para o Flávio Itabaiana. Era o Flávio Itabaiana”. Trata-se do juiz responsável pelo caso da rachadinha de Flávio na primeira instância fluminense.
Wilson Witzel usou as redes sociais nesta segunda-feira 15 para contestar a afirmação de Bolsonaro.
“Nunca mantive qualquer relação pessoal ou profissional com o juiz Flavio Itabaiana e jamais ofereci qualquer tipo de ‘auxílio’ a qualquer um durante meu governo”, escreveu o ex-governador. “O presidente Jair Bolsonaro deve ter se confundido e não foi a primeira vez que mencionou conversas que nunca tivemos, seja por confusão mental, diante de suas inúmeras preocupações, seja por acreditar que eu faria, a nível local, o que hoje se está verificando que foi feito com a Abin e Policia Federal.”
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