Política

‘Em algum momento vou processar’, diz Lula sobre Moro e procuradores da Lava Jato

Na entrevista mais ouvida do podcast Podapah, o ex-presidente também reconheceu ‘erros do PT’ e avaliou Bolsonaro como ‘anomalia política’

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O ex-presidente Lula (PT) afirmou na quinta-feira 2 que ‘em algum momento’ irá processar Sergio Moro (Podemos) e outros integrantes da força-tarefa da operação Lava Jato por o terem ‘prendido injustamente’ em 2018.

Em entrevista ao podcast Podpah, conduzido pelos influenciadores Igor Cavalari, o ‘Igão’, e Thiago Marques, ‘o Mítico’. o petista disse que  “essa é uma marca profunda [a prisão] que eu vou levar na minha vida”.

“Eu ainda vou pensar bem, mas em algum momento eu vou processar. Nem que seja um tataraneto a ganhar um processo meu contra essa sacanagem que fizeram comigo”, declarou ao ser questionado sobre o tempo em que passou detido.

“Eu poderia ter saído do Brasil, poderia ter ido pra outro país, poderia ter ido pra uma Embaixada. Eu tomei a decisão de que eu tinha que ir pra Curitiba, tinha que ir pra Polícia Federal, precisava provar que o Moro era mentiroso, que a força-tarefa de Curitiba era uma quadrilha… Se eu fugisse, ia aparecer uma fotografia minha ‘o fugitivo’ e eu não tenho mais idade pra isso”, relatou um pouco antes da promessa de processo aos integrantes da força-tarefa.

O programa com Lula bateu recorde de audiência no Youtube, com um pico de mais de 292 mil espectadores simultâneos e mais de 2 milhões de visualizações, segundo os dados da plataforma divulgados pelo canal nas redes sociais. O episódio foi ao ar no mesmo horário em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) fazia sua tradicional live de quinta, que ao fim da transmissão contava com menos de 40 mil visualizações.

Lula e os influenciadores Igor Cavalari, o ‘Igão’, e Thiago Marques, ‘o Mítico’.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O ex-presidente também avaliou a vitória de Bolsonaro em 2018 como uma ‘anomalia política’. Em outro trecho, reconheceu que PT ‘errou muita coisa’, afirmando mais adiante que o rapper Mano Brown teria acertado ao dizer, em 2018, que o ‘partido se afastou da base’ em um determinado momento.

“Acho que o PT errou muita coisa, deve ter errado, deve ter deixado de fazer coisas”, disse. “Ele [Mano Brown] estava certo. A única coisa que a gente não pode esquecer é a razão pela qual a gente criou esse partido. Nós criamos esse partido para que o povo tivesse vez e voz. Para que o povo passasse a ser sujeito da história e não fosse eternamente coadjuvante da história. Então, nós não podemos sair da periferia. Nós temos que conversar onde o povo está. Vai na porta de banco, vai na porta de fábrica, vai nos bairros. Conversar com o povo”, acrescentou em seguida.

Apesar de reconhecer que o partido teve erros, Lula voltou a dizer que não irá ficar detalhando publicamente quais seriam, como parte da imprensa lhe cobra constantemente. Para ele, esse papel deve ser feito pelos analistas na mídia. “Nunca vi ninguém pedir para o Fernando Henrique Cardoso fazer autocrítica”, destacou.

O ex-presidente também não tratou diretamente do andamento das conversar com Geraldo Alckmin para 2022. Mas disse que, se confirmar sua candidatura ‘lá por março’, irá trabalhar em alianças, ‘como fez Olaf Scholz’, novo primeiro-ministro da Alemanha, com quem esteve recentemente.

“Só tem sentido eu voltar, se eu garantir que o povo volte a comer todo dia. Todo mundo tem que tomar café, almoçar e jantar todo dia. E todo filho de trabalhar da periferia tem direito de disputar uma vaga na universidade”, disse sobre a candidatura.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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