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Doria, um risco para o futuro do País

Política

De todas as fraudes que surgiram nos últimos anos, em consequência do descrédito nos partidos e políticos tradicionais, nenhuma se destacou tanto quanto João Doria.

Candidato ao governo de São Paulo, sua rejeição está ligada, sobretudo, à sua renúncia da prefeitura após 15 meses de mandato depois de ter tido que ficaria quatro ano. Mentir aos paulistanos foi, entretanto, apenas um dos seus defeitos. Uma avaliação da sua curta gestão mostra que ele é um político tradicional, desleal e péssimo gestor público.

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Eleito governador, se transformará em um risco para o futuro do país, sobretudo pelo seu viés autoritário e privatista. Irá disputar, com chances de sucesso, a liderança da direita raivosa que saiu do armário para ficar.

Ungido, em 2016, como candidato a prefeito pela força de Alckmin no PSDB paulista, Dória foi um sucesso midiático, baseado na imagem do não político, do “gestor”, do João trabalhador. Ganhou a eleição no 1º turno, com o triplo da votação do 2º colocado, prefeito Fernando Haddad.

Antes mesmo de assumir, colocou-se como alternativa ao seu padrinho pela vaga do PSDB na eleição presidencial, revelando-se uma pessoa sem caráter. Frente aos descrédito dos políticos tradicionais, insinuou-se como salvador do campo conservador para enfrentar Lula, que já aparecia como o favorito nas eleições presidenciais.

Secundarizou o trabalho de prefeito e fez mais de 50 viagens pelo país, em pré-campanha presidencial. Com marketing eficiente, buscou forjar uma imagem de gestor moderno e trabalhador, obtendo de início bons resultados.

Propagandeava feitos que não havia alcançado, como o fim da cracolândia, o fim das filas de exames médicos, milhões em doação privadas, novos programas que nem senão haviam sido formulados.

Aos poucos, os paulistanos viram que a gestão pública exigia mais do que marketing pessoal, fantasias de trabalhador braçal, nomes pomposos de programas fictícios, bravatas contra jornalistas e formadores de opinião e suspeitas doações empresariais.

Sua efêmera popularidade despencou no final de 2017 e teve que desistir de enfrentar Alckmin. Mas, sedento de poder, lançou-se ao governo do Estado. A experiência mostra que não reúne credenciais para o cargo.

Sua gestão na prefeitura não resiste a uma avaliação qualificada. Foi antiquada nos métodos e tímida nos objetivos. Autoritária e vertical, ele desprezou processos participativos e colaborativos, adequados a uma gestão contemporânea.

Não sabe trabalhar em equipe. Impôs aos auxiliares iniciativas ilegais ou equivocadas, contrariando experiências bem sucedidas de políticas públicas. Secretários foram cobrados por resultados impossíveis de serem alcançados ou não foram respaldados na defesa do interesse público. Exemplo foi a demissão de Gilberto Natalini, que investigava um esquema de corrupção na Secretaria do Meio Ambiente, envolvendo o mercado imobiliário.

Os conselhos participativos foram esvaziados; salas de leitura, informática e brinquedos foram fechadas nas escolas, assim como inúmeros centros de saúde. Sua maior prioridade era entregar o patrimônio do município ao setor privado, algo como vender as joias da família para pagar as contas.

Baseado no lema, “Acelerar São Paulo”, mantida na campanha para o Estado, reforçou a superada cultura do automóvel. Nenhuma nova faixa exclusiva de ônibus foi implantada. As ciclovias ficaram abandonadas, sem manutenção. O programa Ruas Abertas perdeu a prioridade.

O aumento da velocidade, símbolo do “Acelera”, gerou mais acidentes e mortes revertendo a tendência de redução dos anos anteriores. Entre 2014 e 2016 (Gestão Haddad), o número de mortos no trânsito caiu 31%. No primeiro semestre da gestão Doria, as mortes subiram 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A arrecadação com multas cresceu 29,1%.

As metas de seu governo foram propositadamente rebaixadas para ficar mais fácil cumpri-las. Ainda assim, não foram alcançadas. Doria prometeu trazer a eficiência do setor privado para a gestão pública, mas isso não aconteceu.

O abandono da prefeitura, que elevou sua rejeição entre os paulistanos, que viram de perto a mentira, e nos políticos que foram por ele traídos, ainda o permite dizer que o fracasso de sua gestão poderia ser revertido se ficasse quatro anos. Nada, no entanto, garante essa avaliação.

Os paulistas não podem cair de novo nessa fraude, entregando o segundo cargo mais importante do país a um político com essas credenciais.

A eleição presidencial tem polarizado o interesse, levando a maioria dos analistas, da mídia e da população a deixaram em segundo plano as demais disputas que ocorrerão em 7 de outubro.

Além da eleição para o Congresso, o papel dos governadores dos grandes estados, como São Paulo, é essencial para garantir a governabilidade nacional e aprovar reformas estruturais progressistas que o país requer, pois eles influenciam as bancadas federais de seus estados, independentemente dos partidos.

Não podemos permitir que um político sem caráter, mau gestor, autoritário, que incita o ódio, ganhe as eleições em São Paulo. Qualquer outro é menos ruim. Doria, não!

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