Política

Diretora de rádio citada em depoimento de ex-servidor do TSE é apoiadora de Bolsonaro

A campanha do ex-capitão tenta pressionar a Justiça Eleitoral a reconhecer suposta irregularidade na veiculação de propaganda

Diretora da rádio JM Online, Lídia Prata Ciabotti, ao lado da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foto: Reprodução/Redes Sociais
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A jornalista Lidia Prata Ciabotti, diretora do grupo que controla a rádio JM Online, citada na exoneração de um servidor do Tribunal Superior Eleitoral nesta quarta-feira 26, é apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em uma de suas mais recentes postagens, ela aparece entregando uma edição do Jornal da Manhã – do mesmo grupo – à primeira-dama Michelle Bolsonaro, em Uberaba (MG). Na foto, ela usa um adesivo em prol do ex-capitão e diz ter sido “um prazer conhecer uma mulher tão carismática”. Ciabotti trancou seu perfil no Instagram por volta das 16h desta quarta.

Nesta quarta, Alexandre Gomes Machado foi exonerado do TSE, onde coordenava o pool de emissoras responsáveis pela distribuição das inserções de candidatos. Ele procurou a Polícia Federal e alegou haver falhas na veiculação de propagandas eleitorais.

As afirmações de Machado ocorrem dias após a campanha de Bolsonaro acionar o TSE sob a justificativa de que emissoras de rádio teriam deixado de transmitir peças do candidato à reeleição no segundo turno.

No depoimento à PF, Machado sugere que sua demissão teria relação com o fato de que “desde o ano de 2018 tenha informado reiteradamente ao TSE de que existem falhas de fiscalização e acompanhamento na veiculação de inserções da propaganda eleitoral gratuita”.

“Que especificamente na data de hoje, o declarante, na condição de coordenador do pool de emissoras do TSE, recebeu um e-mail emitido pela emissora de rádio JM On Line na qual a rádio admitiu que, dos dias 7 a 10 de outubro, havia deixado de repassar em sua programação 100 inserções da Coligação Pelo Bem do Brasil, referente ao candidato Jair Bolsonaro”, diz um trecho do depoimento.

Em entrevista à CNN Brasil, porém, Machado declarou que “estão tentando criar uma cortina de fumaça” sobre a exoneração. “Em tese, eu não tenho nada a ver com a fiscalização. O meu trabalho é fazer com que as rádios tenham o conteúdo. Eu tinha feito todo o meu trabalho e achei que estava tudo tranquilo.”

Em nota, o TSE afirmou que a exoneração de Machado se deve a “indicações de reiteradas práticas de assédio moral, inclusive por motivação política, que serão devidamente apuradas”. Declarou ainda que “as alegações feitas pelo servidor em depoimento perante a Polícia Federal são falsas e criminosas e, igualmente, serão responsabilizadas”.

Segundo o Tribunal, a divulgação da propaganda eleitoral ao longo da campanha é de responsabilidade das emissoras de rádio e televisão. A Corte diz ainda não ter entre suas funções distribuir o material a ser veiculado no horário gratuito e ressalta a necessidade de as emissoras se planejarem para acessar as mídias e publicá-las.

“Para isso, os canais de rádio e TV de todo o País devem manter contato com o pool de emissoras, que se encarrega do recebimento das mídias encaminhadas pelos partidos, em formato digital, e da geração de sinal dos programas eleitorais.”

A fim de colher dividendos eleitorais, Bolsonaro tentou nesta quarta associar o PT à suposta irregularidade na exibição de propaganda, especialmente no Nordeste. Na terça 25, a campanha bolsonarista enviou ao TSE detalhes de uma suposta auditoria.

O primeiro documento sobre a suposta fraude chegou às mãos do presidente do TSE, Alexandre de Moraes, ainda na segunda. Na avaliação do magistrado, porém, os fatos narrados “não foram acompanhados de qualquer prova e/ou documento sério, limitando-se o representante a juntar um suposto e apócrifo ‘relatório de veiculações em Rádio’, que teria sido gerado pela empresa ‘Audiency Brasil Tecnologia’”.

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