Diretor da Prevent nega omissão de mortes, mas confirma mudança em código de diagnóstico da Covid

O depoente irritou senadores da CPI da Covid. 'Não tem condição de ser médico com a desonestidade com o que fez agora', reagiu Otto Alencar

Foto: Pedro França/Agência Senado

Foto: Pedro França/Agência Senado

Política

O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, afirmou nesta quarta-feira 22 à CPI da Covid que a empresa não omitiu mortes por Covid-19 de pacientes que receberam medicamentos ineficazes contra a doença. Ainda assim, o comando da comissão decidiu converter o depoente de testemunha em investigado.

 

 

Um dossiê assinado por 15 médicos da Prevent Senior e encaminhado à CPI indicou que a empresa usava os hospitais para ministrar hidroxicloroquina e outros remédios ineficazes sem o consentimento de familiares e pacientes. O documento também acusa a operadora de esconder sete mortes por Covid-19.

Outra alegação do dossiê é de que a Prevent orientava médicos a modificar, após algumas semanas de internação, o código de diagnóstico – conhecido como CID – dos pacientes com Covid-19.

A CPI reproduziu na sessão uma mensagem que consta do dossiê. Nela, um diretor mencionava suposta necessidade de “padronizar” o código.

“Após 14 dias do início dos sintomas (pacientes de enfermaria/apto) ou 21 dias (pacientes com passagem em UTI/Leito híbrido), o CID deve ser modificado para qualquer outro exceto o B34.2 (código da Covid-19) para que possamos identificar os pacientes que já não tem mais necessidade de isolamento. Início imediato”, dizia a mensagem.

Benedito disse aos senadores que “todos os pacientes com suspeita ou confirmados com Covid, na necessidade de isolamento, quando entravam no hospital, precisavam receber o B34.2, que é o CID de Covid”.

De acordo com o depoente, “após 14 dias – ou 21 dias para quem estava em UTI -, se esses pacientes já tinham passado dessa data, o CID já poderia ser modificado porque eles não representavam mais risco à população do hospital”.

Senadores reagiram às declarações. Otto Alencar (PSD-BA), médico de formação, afirmou que Benedito é “inacreditável”.

“Não tem condição de ser médico com a desonestidade com o que fez agora. Sinceramente, modificar o código de uma doença é um crime”, disparou. “Infelizmente, o Conselho Federal de Medicina não pune”.

Segundo Humberto Costa (PT-PE), “eles consideram que depois de 14 dias esse paciente não tem mais Covid, ou que depois de 21 dias não tem mais Covid”.

“Essas pessoas que morreram, morreram de complicações de quê? De Covid. Então é Covid. É lógico que isso é uma fraude”.

Pelas redes sociais, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que “se consultarmos o dicionário da Língua Portuguesa, vamos constatar que prevenção é sinônimo de prudência, diligência, previdência”. Para Renan, porém, “depois das informações estarrecedoras dos últimos dias, sabemos que essa Prevent Senior não é um plano de saúde, mas um plano macabro da morte”.

 

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