Direto da Redação
PF suspeita de André Mendonça e gera impasse silencioso na AGU
Os bastidores da crise silenciosa entre a Polícia Federal e o ministro do STF foram detalhados no ‘Direto da Redação’ da última quinta-feira 26, que também analisou a maré governista no Congresso e o xadrez eleitoral fluminense
A Polícia Federal suspeita de uma potencial interferência de André Mendonça nas investigações sobre um esquema de fraudes no INSS, abrindo uma crise silenciosa nos bastidores de Brasília. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, desconfia que o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) esteja por trás de vazamentos seletivos contra Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula. Para mitigar o impacto de uma escalada institucional, a Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias, tem atuado para desarmar o impasse de forma política, resistindo a formalizar uma representação contra o magistrado no próprio STF.
O tema foi um dos destaques da última edição do Direto da Redação, programa diário de CartaCapital, apresentado pelo editor Leonardo Miazzo, com participação da editora-executiva Thais Reis Oliveira e da repórter Ana Luiza Basilio. O programa também abordou o possível avanço de matérias de grande apelo popular do governo Lula no Congresso, o cenário eleitoral no Rio de Janeiro e os temores de interferência digital norte-americana nas eleições presidenciais de 2026.
AGU evita embate direto com Mendonça
Segundo informações de bastidores obtidas pela repórter Maiara Marinho em Brasília, a AGU avalia que a disputa em torno das investigações do INSS possui caráter estritamente político. O receio do advogado-geral Jorge Messias é de que uma reclamação formalizada contra o ministro André Mendonça possa abrir brechas jurídicas perigosas. Defesas de réus em outros processos complexos, como os desdobramentos do caso do Banco Master, poderiam se valer da crise para tentar anular provas e desestabilizar as ações em curso.
Para contornar o acirramento, a PF e a equipe de Mendonça têm se reunido na tentativa de alinhar os procedimentos de trabalho. O gabinete do ministro, por sua vez, minimiza as acusações e sustenta que as rusgas foram pontuais, decorrentes de sua decisão de centralizar as informações da apuração e exigir relatórios sobre mudanças na equipe de investigadores.
Planalto destrava pautas e mira dividendos eleitorais
Paralelamente às turbulências jurídicas, o Palácio do Planalto colhe os frutos da reaproximação com os presidentes das casas legislativas: Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado e Hugo Mota (Republicanos-PB) na Câmara. O rearranjo de forças garantiu um acordo para votar, já na próxima semana, a medida provisória que extingue a controversa ‘taxa das blusinhas’ sobre compras internacionais de até 50 dólares. A medida é vista como altamente popular por assessores presidenciais, que buscam fechar um flanco amplamente explorado pela oposição desde que a tributação entrou em vigor.
Na avaliação de Thais Reis Oliveira, a movimentação expõe o pragmatismo das cúpulas partidárias. Enquanto o Planalto necessita de vitórias legislativas imediatas de forte apelo social, Alcolumbre pavimenta seu caminho para retornar à presidência do Senado em 2027. O senador amapaense busca se blindar contra a ofensiva do bolsonarismo, que ensaia lançar um nome próprio, como a ex-ministra Tereza Cristina, com o intuito de obter maioria para fustigar ministros do STF.
Além da isenção alfandegária, o governo federal aposta no avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na Comissão de Constituição e Justiça. Embora o tema enfrente forte resistência dos governadores estaduais devido à centralização de diretrizes, o Executivo enxerga no debate uma oportunidade de disputar um território historicamente dominado pela extrema-direita. O cenário se completa com a articulação do PT para acelerar a votação do fim da jornada 6×1, pauta de forte clamor popular capitaneada por movimentos de base e relatada no Senado por Omar Aziz.
RJ: favoritismo de Paes e possível colapso bolsonarista
A poucas semanas das eleições, o cenário eleitoral fluminense aponta para a consolidação de Eduardo Paes (PSD) na liderança, com 37% das intenções de voto contra 14% de Douglas Ruas (PL), segundo a mais recente pesquisa Quest. Ruas, cuja candidatura para um mandato-tampão naufragou diante do impasse jurídico que paralisou a sucessão do ex-governador Cláudio Castro no STF, não consegue captar o eleitorado bolsonarista órfão. Mesmo em um reduto tradicional da extrema-direita, o ex-prefeito da cidade do Rio atrai mais de 20% dos eleitores de Flávio Bolsonaro.
Para o cientista político Cláudio Couto, contudo, a relevância dos palanques estaduais na definição do voto presidencial precisa ser desmistificada. Em análise detalhada, o especialista pontuou que o eleitorado realiza escolhas perfeitamente compartimentadas entre as esferas de governo, o que explica os empates técnicos entre Lula e Flávio Bolsonaro em estados governados por fortes aliados da oposição, como São Paulo e Minas Gerais.
Planalto monitora ingerência dos EUA e papel das big techs
No front internacional, a inteligência do governo brasileiro mantém o alerta máximo contra possíveis tentativas de desestabilização do processo eleitoral. O principal vetor de preocupação reside no papel de grandes plataformas digitais. Conforme revelado pelo colunista Jamil Chade, o Planalto teme que ações coordenadas de desinformação promovidas pelas big techs atuem diretamente para moldar as tendências de voto de um eleitorado polarizado.
A preocupação estende-se à postura imprevisível da Casa Branca sob Donald Trump, especialmente pela atuação do secretário de Estado, Marco Rubio. Para conter investidas diplomáticas ou sanções econômicas unilaterais, a diplomacia brasileira pretende esticar as negociações comerciais bilaterais ao longo de setembro, utilizando-as como um escudo institucional enquanto as urnas não se fecham.
O Direto da Redação vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 17h, no canal de CartaCapital no YouTube. Assista abaixo à íntegra do programa de 26 de agosto de 2026:
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