Dino alerta que Bolsonaro pode incentivar uma guerra civil nas eleições de 2022

Governador do Maranhão volta a defender o impeachment e diz: O Mourão é uma pessoa mais à direita, mas não se comportaria como um arruaceiro

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em entrevista a CartaCapital. Foto: Reprodução/YouTube

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), em entrevista a CartaCapital. Foto: Reprodução/YouTube

Política

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), afirmou nesta segunda-feira 23 que o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), seria “certamente mais sério”, no caso de um eventual impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, Mourão não se comportaria como um “arruaceiro” no cargo.

“O Mourão é uma pessoa mais à direita, mas não se comportaria como um arruaceiro, como um bagunceiro. Seria uma saída de transição quem sabe ou será uma saída de transição uma vez que Bolsonaro a essa altura está atormentado de desgovernado, inclusive, psicologicamente. Então, talvez fosse uma saída de transição para que haja eleições em paz no Brasil”, declarou o governador em entrevista ao UOL News.

Na conversa, o governador se posicionou favoravelmente ao processo de impedimento do presidente. Ele considera que os ataques de Bolsonaro aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, já seriam motivos para a destituição do cargo em outros países.

“Sou favorável ao impeachment. A oposição tem tentado, mas o que nós não temos são votos neste instante. Somos minoria na Câmara, mas temos tentado. Eu sou a favor do impeachment não só pelos aspectos políticos, mas também pelos aspectos jurídicos. Nós temos crimes de responsabilidade sendo perpetrados gravemente. Somente esse episódio de ameaçar, coagir o ministro Barroso, coagir o ministro Alexandre de Moraes, em qualquer país seria suficiente para o impeachment”, expressou o governador.

Na sexta-feira 20, o presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Senado Federal pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

O governador ainda considera que se as eleições presidenciais em 2022 ocorrerem com esse “clima gerado pelo Bolsonaro” é possível que o País se depare com confrontações e uma possível guerra civil.

“Porque se nós formos para a eleição nesse clima gerado pelo Bolsonaro, nós podemos não ter problemas agora no 7 de setembro, mas podemos ter problema no outro 7 de setembro quando se avizinhará a derrota eleitoral do Bolsonaro. E, aí sim, no ambiente eleitoral eles podem perpetrar algum tipo de confrontação, assolar ódio, gerar uma espécie de guerra civil. Então é uma situação muito grave e o general Mourão, repito, apesar de ser uma pessoa à direita, é uma figura que tem se comportado de modo sério, respeitável, diferente do presidente da República”, ponderou.

O governador acredita que, diante dos últimos posicionamentos do presidente, “tudo indica” que o chefe do Executivo tentará invadir o Congresso Nacional ou mesmo do STF em uma ação golpista, assim como aconteceu nos Estados Unidos, após a derrota nas urnas do ex-presidente Donald Trump, em que manifestantes invadiram o Capitólio para impedir a diplomação no cargo do atual presidente Joe Biden.

“Acho que a atitude nesse momento deve ser de serenidade, porém, de firmeza porque mesmo que ele [Bolsonaro] não tenha êxito nessas tentativas de invadir o Congresso, invadir o Supremo, coisas desse tipo, tudo indica que algo desse tipo será tentado. E ao tentar, já há vítimas. Nós vimos isso no Capitólio, nos EUA. E temos que evitar essa confrontação entre brasileiros. A paz deve prevalecer, o respeito às regras da democracia deve prevalecer”, afirmou o governador.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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