Política

Deputado aponta gastos duplicados no cartão corporativo de Bolsonaro e decide acionar o TCU

‘É uma verdadeira farra com dinheiro público, e essa situação precisa ser apurada’, afirma Elias Vaz (PSB-GO)

O presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Isac Nóbrega/PR
O presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Isac Nóbrega/PR
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O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) decidiu, nesta sexta-feira 3, acionar o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal por uma investigação sobre gastos em duplicidade no cartão corporativo do governo de Jair Bolsonaro.

Vaz afirma ter identificado despesas que constam, simultaneamente, de faturas do cartão e de contratos firmados pela União para os mesmos serviços.

Nesta sexta, uma reportagem da revista Veja baseada em auditoria sigilosa do TCU mostrou que o governo Bolsonaro gastou, com cartões corporativos, ao menos 21 milhões de reais entre janeiro de 2019 e março de 2021.

Um dos pontos destacados é o gasto de 2,59 milhões de reais para alimentar toda a tropa de seguranças e o pessoal de apoio administrativo nas viagens de Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão pelo País.

“Bolsonaro está dizendo que o cartão corporativo fica caro por causa da equipe de segurança dele. Mas é uma contradição, porque detectamos cobranças de despesas de viagem de forma paralela no mesmo período”, diz Elias Vaz. “É uma verdadeira farra com dinheiro público, e essa situação precisa ser apurada.”

Segundo o deputado do PSB, os militares que cuidam da segurança de Bolsonaro e de Mourão receberam, entre janeiro de 2020 e maio de 2022, 10.767.281,13 reais em diárias. Ao mesmo tempo, diz o parlamentar, o governo pagou no mesmo período 12.154.944,08 reais à empresa Miranda Turismo e Representações Ltda para fornecimento de passagens.

“Se eles recebem a passagem porque o governo tem contrato para isso (…), como é que os seguranças do Bolsonaro estão inflando o cartão corporativo?”, questiona Vaz. “Essa situação é no mínimo muito estranha. Há sérios indícios de que o cartão vem sendo usado pra bancar viagens de lazer, caronas para parentes e amigos do Bolsonaro e alimentação de luxo.”

A auditoria do TCU aponta ainda, segundo a Veja, viagens a passeio bancadas com dinheiro público: 16,5 milhões de reais foram gastos em pagamentos de hospedagem, fornecimento de alimentação e apoio operacional.

O texto diz também que os ministros Paulo Guedes, Fábio Faria, Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos viajaram no avião presidencial não para agendas públicas ou compromissos oficiais, mas para curtir feriados fora de Brasília ou assistir a partidas de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro. De acordo com a revista, o mesmo expediente foi utilizado por outras 17 autoridades ou convidados e familiares deles.

Trecho da auditoria do TCU sustenta que a “a utilização da aeronave presidencial para transportar, em viagens de agenda privada, pessoas que não são seus familiares diretos, bem como pagamento de despesa de hospedagem de pessoas que não são autoridades ou dignitários, sinalizam aproveitamento da estrutura administrativa em benefício próprio”. A Corte de Contas alega que “tais situações afrontam os princípios da supremacia do interesse público, moralidade e legalidade”.

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