Justiça
Moraes nega pedido da defesa de Bolsonaro que acusa Cid de mentir sobre conta no Instagram
Os advogados afirmam haver ‘provas técnicas contundentes’ que desmentem o delator e sugerem uma tentativa de destruição de evidências
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou nesta segunda-feira 30 um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para anexar novas provas contra o tenente-coronel Mauro Cid, acusado de mentir sobre o uso da conta de Instagram @gabrielar702. Mesmo com a negativa, os advogados insistem haver “provas técnicas contundentes” de que o delator mentiu à Polícia Federal e ao STF, e apontam tentativa de destruição de evidências.
A conta em questão se tornou alvo de investigação após a divulgação, pela revista Veja, de mensagens supostamente enviadas por Mauro Cid tratando de sua delação premiada com pessoas próximas a Bolsonaro.
Em depoimento recente à PF, Cid negou qualquer relação com o perfil e alegou que, apesar da voz e da imagem parecerem verdadeiras, as mensagens seriam montagens. No entanto, segundo a defesa de Bolsonaro, essa versão não se sustenta diante das evidências enviadas pelo Google e pela Meta ao STF.
“As mentiras do delator não só têm se amontoado, como também são cada vez mais descaradas e, aparentemente, envolvem destruição de prova”, afirma o advogado Celso Vilardi na petição.
Conforme os documentos anexados, a conta @gabrielar702 foi criada com o e-mail maurocid@gmail.com, verificado pela Meta. O Google confirmou que o endereço eletrônico foi registrado em 2005 com o nome e a data de nascimento de Mauro Cid. Além disso, o telefone cadastrado para recuperação da conta foi apreendido com o próprio Cid e reconhecido como seu número pessoal.
A defesa também apontou que o IP utilizado para criar a conta leva diretamente à residência do delator. Já a exclusão do perfil, realizada após audiência no STF, teria ocorrido por meio de uma conexão com VPN, com localização virtual na Dinamarca. Para os advogados, trata-se de uma ação deliberada para dificultar a rastreabilidade e apagar provas.
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