Justiça

Defesa de Bolsonaro usou viagem aos EUA para tentar atrasar processo no TSE, diz jornal

A argumentação era de que, por estar em solo norte-americano, o ex-presidente não teria sido notificado formalmente

Defesa de Bolsonaro usou viagem aos EUA para tentar atrasar processo no TSE, diz jornal
Defesa de Bolsonaro usou viagem aos EUA para tentar atrasar processo no TSE, diz jornal
Bolsonaro na sua primeira palestra como ex-presidente nos EUA. Foto: CHANDAN KHANNA / AFP
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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usou a viagem do ex-capitão aos Estados Unidos como argumento para tentar atrasar o andamento de um processo no Tribunal Superior Eleitoral. A informação foi revelada pelo jornal O Globo desta segunda-feira 27.

A argumentação era de que, por estar em solo norte-americano, Bolsonaro não teria sido notificado formalmente do andamento da ação que pode torná-lo inelegível. A Corte, a pedido da campanha de Lula (PT), avalia a reunião de Bolsonaro com cantores sertanejos no Palácio do Planalto e no Alvorada durante as eleições. A suspeita é de que o encontro represente um abuso de poder político.

Segundo a defesa de Bolsonaro, porém, o caso não poderia avançar porque o ex-capitão não teria recebido formalmente a notificação. A citação do tribunal, porém, foi entregue ao porteiro do Vivendas da Barra, residência de Bolsonaro no Rio de Janeiro.

“É fato público e notório, como amplamente divulgado pela mídia, que o Jair Messias Bolsonaro se encontra, desde o dia 30 de dezembro de 2022, nos Estados Unidos da América, cumprindo agenda profissional, razão evidente pela qual não poderia receber a citação que lhe foi endereçada na cidade do Rio de Janeiro”, argumentou a defesa de Bolsonaro.

A tentativa dos advogados, porém, foi frustrada. Benedito Gonçalves, ministro do TSE que relata o caso, entendeu que a notificação, ao ser recebida pelo porteiro, foi realizada. A decisão do ministro está em linha com o Código de Processo Civil.

“A citação realizada pelo correio, recebida por funcionário do condomínio, é plenamente válida. Não há informação de que o investigado deixou de ter domicílio civil no local, tanto que a própria defesa aponta que ele se encontra cumprindo agenda profissional”, decidiu o ministro no caso.

Pesou também na decisão de Gonçalves o pedido de arquivamento do caso feito pela defesa de Bolsonaro. O ministro entendeu que, ao pedir o arquivamento, os advogados reconheceram a notificação formal enviada pelo TSE ao Vivendas da Barra.

O caso contra Bolsonaro no TSE é um dos 16 que podem lhe render inelegibilidade pelos próximos 8 anos. A ação mais avançada, vale lembrar, é a que o PDT pede apuração contra a reunião de Bolsonaro com embaixadores, na qual o ex-capitão disseminou mentiras sobre o processo eleitoral. O próprio ex-presidente já admitiu que, neste caso, há grandes possibilidades de não sair vitorioso.

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