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Debate entre presidenciáveis tem bordão, ato falho e clima ameno

Política

O terceiro debate entre os candidatos à Presidência da República e o primeiro sem a presença de Jair Bolsonaro (PSL) teve novo bordão de Guilherme Boulos (Psol), ato falho de Henrique Meirelles (MDB) mas, sobretudo, perguntas e respostas em tom ameno entre os seis presidenciáveis que estiveram no teatro Gazeta, em São Paulo, na noite do domingo 9.

A ausência de Bolsonaro – que permanece internado após sofrer um ataque com faca na quinta-feira 6 – foi sentida de diversas as maneiras. Primeiro pelas falas dos presidenciáveis pedindo paz e contra o discurso de ódio, no começo e final do encontro. Depois pela ponderação e apresentação de propostas e questionamentos de forma menos agressiva que nos encontros anteriores. E também ao ser citado em temas como Saúde – o deputado do PSL foi atendido pelo SUS após ser esfaqueado – e Segurança Pública.

Pequenas provocações, no entanto, se fizeram notar. Logo na primeira pergunta, Meirelles questionou Geraldo Alckmin (PSDB) sobre como combater o radicalismo sendo que o próprio tucano faz referências em seu programa eleitoral de TV a Bolsonaro. “O senhor prega a pacificação, mas quando Bolsonaro ainda estava na sala de cirurgia seu programa de TV atacava fortemente o candidato”, afirmou.

Alckmin tentou desviar da provocação dizendo que veicula falas que não foram ditas por ele e que em nenhum momento pregou o ódio em sua propaganda eleitoral. O tucano incorporou quadros em que objetos são atingidos por tiros na propaganda da TV. “Sou contra qualquer tipo de radicalismo”, afirmou.

Já Boulos, como já se tornou costume nos debates, dedicou-se a questionar Meirelles com os bordões “bolsa empresário” e “bolsa banqueiro”. Perguntou-lhe sobre os privilégios que têm os ricos, a quem chamou de “turma do Meirelles”.

O socialista chegou a comparar o emedebista a Maradona treinando a seleção brasileira para um jogo contra a Argentina. “Maradona treinaria bem a seleção brasileira num jogo contra o time de seu país? Meirelles atuaria para acabar como os privilégios de sua turma?”, disse.

Sem responder, Meirelles tentou provocar o socialista dizendo que o mundo se divide entre aqueles que trabalham e pagam impostos e aqueles que não trabalham e não pagam. Ressaltou também que nunca deixou de pagar os seus impostos.

Na réplica Boulos fez questão de destacar uma das suas principais proposta de sua candidatura, de taxar os mais ricos, mas não sem criar novo bordão, depois do “50 tons de Temer” do primeiro debate entre os presidenciáveis: “Vamos taxar sua fortuna de quase 400 milhões de reais. Não vou chamar o Meirelles. Vou taxar o Meirelles”, respondendo ao emedebista.

Voltando-se a Alckmin, Meirelles acusou o tucano de exportar o crime organizado para todo o País. O ex-governador de São Paulo, por sua vez, citou a redução do número de homicídios em dez anos no estado de São Paulo e prometeu endurecer as leis se eleito.

Quando questionado sobre segurança por um eleitor, o candidato do PSDB também falou que é preciso construir mais prisões federais de segurança máxima e a implantação de uma guarda nacional permanente nas 150 cidades mais violentas do país.

Leia também: França, Alckmin, Bolsonaro: o medo da população como aposta eleitoral

No quarto bloco, o destaque também foi Meirelles, com seu ato falho ao tratar do tema equidade salarial entre homens e mulheres. O emedebista afirmou: “É inaceitável que mulheres ganhem mais do que os homens”, o que gerou burburinho na plateia.

O palco não permitia que os candidatos tivessem contato visual com seus assessore e que ele fosse alertado sobre o equívoco. No entanto, Meirelles se corrigiu nas frases seguintes, ainda que não diretamente, defendendo o equilíbrio salarial entre os gêneros ao final. Também disse que em seu eventual governo os conselhos de administração das estatais serão compostos com, pelo menos, 30% de mulheres.

A candidata Marina Silva (Rede), que no encontrou anterior enfrentou Bolsonaro sobre esse mesmo tema, manteve o discurso que vem construindo desde então, de diálogo com as mulheres. Frisou tanto durante o debate quanto nas entrevistas com jornalistas mais tarde que é mãe, dando um passo adiante rumo ao eleitorado feminino.

Entre as propostas, ela disse que em seu governo o Sistema Único de Saúde (SUS) será o verdadeiro plano de saúde de todos os brasileiros, com a criação de 400 centros regionais com cinco mil profissionais para o atendimento da população. A candidata, porém, não deu detalhes sobre como colocar a proposta em prática.

Ciro Gomes (PDT) manteve o tom conciliador e amistoso que vem apresentando nesta campanha. Fez menções respeitosas e de simpatia aos candidatos e quando informado que seu nome era o mais citado nas redes sociais, durante o intervalo, fez uma dancinha comemorando o feito.

O próximo debate entre os candidatos à Presidência acontecerá no Rio de Janeiro, dia 18. De acordo com o atual prognóstico, Jair Bolsonaro não deve participar do encontro.

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Repórter do site CartaCapital.com.br

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