Justiça
Daniel Vorcaro desiste de comparecer à CPMI do INSS
André Mendonça tornou facultativa a presença do dono do Banco Master; mais cedo, o ministro devolveu dados sigilosos do banqueiro ao colegiado
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comunicou aos integrantes da presidência da CPMI do INSS que não vai mais comparecer à reunião de segunda-feira 23, quando seria ouvido sobre irregularidades em descontos e operações financeiras que atingiram aposentados e pensionistas do INSS.
Ele já não era obrigado a ir ao colegiado, já que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça tinha, na quinta-feira 19, tornado o comparecimento do banqueiro facultativo. Mesmo assim, Vorcaro tinha, até a manhã desta sexta 20, se comprometido a falar à CPMI.
O que mudou nas últimas horas é que o ministro André Mendonça determinou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) devolva à CPMI do INSS os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático do empresário. Desta forma, o colegiado terá, novamente, acesso aos dados de Vorcaro.
Em dezembro, a CPMI autorizou a quebra dos sigilos de Vorcaro, mas o então responsável pela investigação no STF, Dias Toffoli, determinou que as informações ficassem sob custódia de Alcolumbre. À época, o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG) solicitou a devolução dos dados, mas recebeu a informação de que a comissão só teria acesso ao material após a conclusão das investigações pela Polícia Federal.
Conforme um integrante da comissão relatou à reportagem, o cancelamento da oitiva de Vorcaro chega a ser benéfico para a CPMI, que agora terá tempo de aferir todas as informações reunidas da investigação da Polícia Federal acerca das fraudes do Banco Master.
Vorcaro mora em Belo Horizonte (MG) e está em prisão domiciliar por determinação do TRF1.
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