Política

Crivella afirma que prefeitura vai “ignorar” demandas vindas do O Globo

O boicote, segundo o jornal, acontece no momento em que reportagem mostra Crivella como alvo de investigação pelo MP-RJ

Foto: Wikimedia Commons
Apoie Siga-nos no

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, utilizou as suas redes sociais para afirmar que a prefeitura vai “ignorar” as demandas vindas do jornal O Globo. Em um vídeo, Crivella afirma que o veículo “não é mais um jornal, não faz mais jornalismo, é um panfleto político, que faz militância e que tenta, por meio de ameaças e chantagens, que a Prefeitura ceda às suas ambições”. Crivella alega que sua gestão vem sofrendo uma “agressiva perseguição” por parte do veículo.

Na publicação, o prefeito afirma que o pedido também partiu da área de comunicação da Prefeitura, liderada pelo jornalista Daniel Pereira, que também aparece no vídeo, em reunião com assessores da Prefeitura do Rio, condenando o número de publicações negativas feitas pelo veículo que, segundo, Pereira, “cavam porque querem falar mal”. O jornalista reitera que a equipe não responderá mais ao O Globo.


Segundo o O Globo, as publicações foram feitas após a equipe do jornal entrar em contato seguidas vezes com a assessoria do prefeito para ouvi-lo sobre as acusações feitas pelo doleiro Sérgio Mizhay. Ele delatou ao Ministério Público a existência de um esquema, capitaneado pelo empresário Rafael Alves, irmão do presidente da RioTur, Marcelo Alves, para recebimento de propina de empresas que tinham créditos a receber da prefeitura do Rio.

Após a divulgação, o veículo se pronunciou por meio de nota. Leia na íntegra:

“O GLOBO lamenta a decisão prefeito Marcelo Crivella de, a partir de agora, ignorar os pedidos de informação feitos pelo jornal. Medida, diga-se, tomada na véspera de o jornal publicar reportagem revelando que o prefeito é alvo de investigação do Ministério Público do Rio. Ao não atender a essas demandas, o prefeito deixa de prestar esclarecimentos não ao jornal, mas à população do Rio de Janeiro, que o elegeu. A assessoria de imprensa da prefeitura, vale lembrar, é paga pelos contribuintes cariocas.

O objetivo do GLOBO ao solicitar esclarecimentos a governos e governantes, quaisquer que sejam, é avaliar informações apuradas sobre a gestão pública e dar espaço ao contraditório, como determinam os princípios editoriais do Grupo Globo. Ao contrário do que sugere o prefeito, O GLOBO pratica jornalismo e não mistura a produção de conteúdo editorial com atividades publicitárias.

A despeito de decisão de Crivella, o jornal seguirá solicitando informações e dando espaço à prefeitura antes de publicar reportagens sobre a gestão municipal e suas autoridades – por respeito a nossos leitores, nossos princípios editoriais e ao bom jornalismo.”

Governo declara boicote à Folha de São Paulo

A decisão de Crivella contra o jornal O Globo não é a primeira no âmbito da punição à imprensa nacional. No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro determinou que as assinaturas do jornal Folha de S. Paulo fossem canceladas por todos os órgãos do governo federal e também ameaçou os anunciantes do veículo.

O jornal foi excluído de um edital de Pregão Eletrônico que reúne uma relação de assinaturas de jornais e revistas da presidência da República. “A Folha de S. Paulo não serve nem para forrar aí o galinheiro do Alvorada”, disse o presidente, que recebeu aplausos de apoiadores, aos gritos de “mito”. “Então, olha só, eu estou deixando de gastar dinheiro público”, declarou o presidente.

“E os anunciantes que anunciam na Folha também, eu peço ao pessoal aí, qualquer anúncio que faz na Folha de S. Paulo, eu não compro aquele produto. Ponto final. Eu quero uma imprensa livre, independente, mas acima de tudo, que fale a verdade. Eu tô pedindo muito?”, afirmou.

Na relação de jornais e revistas publicada no DOU, é solicitada a assinatura de 24 jornais: Correio Braziliense, O Globo, O Estado de S. Paulo, Valor EconômicoO PopularEstado de Minas, Hoje Em DiaZero Hora, Diário Catarinense, Jornal do ComércioGazeta de AlagoasTribuna do NorteEstado do Maranhão, A TardeO DiaO Tempo, O Liberal, A Crítica e os estrangeiros Financial Time, The New York TimesLe Monde Diplomatique, El País The Wall Street Journal.

Há também a solicitação de assinatura digital das revistas CartaCapital, Veja, Isto ÉIsto É Dinheiro, Época, Exame, The Economist, Piauí, Crusoé e Time.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo