CPI da Covid convoca médicos que denunciaram a Prevent Senior

O requerimento aprovado pelos senadores é de autoria do governista Marcos Rogério (DEM-RO); presidente da ANS também será ouvido

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Política

A CPI da Covid aprovou nesta quinta-feira 30 a convocação dos médicos George Joppert e Andressa Joppert, indicados como integrantes do grupo que denunciou irregularidades na Prevent Senior.

 

 

O requerimento aprovado pelos senadores é de autoria do governista Marcos Rogério (DEM-RO). No documento, ele afirma que os médicos “supostamente acessaram a planilha depois do desligamento da empresa e transmitiram as informações para a advogada Bruna Morato, antes da divulgação dos dados pela imprensa”.

Também nesta quinta, a comissão aprovou a convocação do diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Paulo Roberto Vanderlei Rebello Filho, para aprofundar as investigações sobre a Prevent Senior. O objetivo é saber se a ANS se omitiu diante das acusações contra o plano de saúde que entrou na mira dos senadores.

Na última terça-feira 28, a CPI ouviu a advogada Bruna Morato, que auxiliou médicos a elaborar um dossiê com denúncias contra a operadora. O levantamento foi entregue à comissão no Senado e menciona, além da prescrição de remédios sem eficácia, a ocultação de óbitos por Covid-19.

Na oitiva, Morato afirmou que a Prevent Senior e médicos do chamado Gabinete Paralelo formaram um pacto a fim de validar a hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19. O objetivo seria evitar a adoção de medidas de restrição da circulação.

“O que eles [clientes] me explicaram foi o seguinte: existia um interesse do Ministério da Economia para que o País não pare. Se nós entrarmos nesse sistema de lockdown, nós teríamos um abalo econômico muito grande. Existia um plano para que as pessoas pudessem sair às ruas sem medo”, disse a advogada.

Ela citou três médicos: Anthony Wong, Nise Yamaguchi e Paolo Zanotto. Cada um deles tinha, de acordo com Morato, uma função específica no pacto. Wong desenvolveria “um conjunto medicamentoso atóxico”; Yamaguchi disseminaria “informações a respeito da resposta imunológica das pessoas”; e Zanotto atuaria no âmbito da comunicação, “de forma mais abrangente”.

Segundo a depoente, “o objetivo era que as pessoas tivessem a impressão de que existia um tratamento eficaz contra a Covid-19″.

“Eles tinham a intenção de dizer que se as pessoas ficassem doentes elas tinham tratamento, desde que esse tratamento fosse feito. Esse tratamento recebeu nome de ‘tratamento precoce’. As pessoas recebiam o kit, tinham de tomar e supostamente estavam salvas de qualquer complicação”.

Após a sessão de terça-feira, a CPI decidiu acionar a Polícia Federal para pedir proteção da corporação à advogada.

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem