Política
Coronel amigo de Bolsonaro recolhia o dinheiro da rachadinha, diz site
O coronel foi colega de Jair Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras e é tio de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente
O coronel da reserva do Exército, Guilherme dos Santos Hudson, colega de Jair Bolsonaro no Exército, é apontado como o responsável por recolher o dinheiro no suposto esquema rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro. A informação consta nas gravações de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, reveladas pelo UOL.
O coronel foi colega de Jair Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras, Aman, e é tio de Andrea e de Ana Cristina Siquei Valle, ex-mulher do presidente. Hudson chegou a ser nomeado no gabinete de Flávio por cerca de dois meses em 2018, mas segundo reportagem do site é conhecido há anos como funcionário da família Bolsonaro.
Nas gravações, a ex-cunhada conta que era Hudson quem ia ao banco sacar o dinheiro do salário dela para entregar a Flávio Bolsonaro.
“O tio Hudson também já tirou o corpo fora, porque quem pegava a bolada era ele. Quem me levava e buscava no banco era ele”, conta Andrea nas gravações. De acordo com os áudios, o coronel teria um papel semelhante ao de Fabrício Queiroz no esquema.
Nos áudios a ex-cunhada ainda diz saber de muita coisa e que pode ‘ferrar’ com a vida de Jair Bolsonaro e do seu filho Flávio. “Não é pouca coisa que eu sei não. É muita coisa que eu posso ferrar a vida do Flávio, ferrar a vida do Jair, posso ferrar a vida da Cristina. Entendeu? É por isso que eles têm medo aí e manda eu ficar quietinha”, afirma.
Andrea Siqueira Valle é o centro da investigação de esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro. Ela ocupou cargos nos gabinetes de Jair, Carlos e Flávio durante vinte anos.
De acordo com a investigação, no período em que ocupou os cargos, Andrea frequentava academias três vezes ao dia e fazia bicos de faxineira. Enquanto esteve no gabinete de Flávio, ela ainda teria sacado em dinheiro mais de 98% dos seus vencimentos, 663 mil reais.
As gravações indicam um envolvimento direto de Jair Bolsonaro no esquema. Em 2007, então deputado federal, Jair teria demitido André Siqueira Valle, irmão de Andrea, por ele se negar a entregar a maior parte do seu salário.
Hudson já é investigado pelo MP do Rio de Janeiro
O coronel Hudson já é alvo das investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro no caso que apura as rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro.
As investigações já apontaram 16 saques que somam 260 mil reais no período em que o filho, a esposa e as noras do coronel trabalhavam como assessoras de Flávio e Carlos Bolsonaro.
Em 2008, Hudson também comprou um imóvel de Bolsonaro e de Ana Cristina em dinheiro vivo no valor equivalente a 71 mil reais. Na ocasião em que a operação foi revelada, dois imóveis no mesmo local e com o mesmo tamanho do adquirido pelo coronel eram vendidos por 430 mil e 480 mil reais.
Sobre o caso, a defesa de Flávio Bolsonaro disse que as gravações são ‘clandestinas’ e incompatíveis com uma ‘democracia saudável’. A defesa de Hudson optou por não se posicionar.
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