Política

Gabinete de Carlos Bolsonaro recebeu ex-assessores investigados

Segundo jornal O Globo, os quatro ex-funcionários prestaram depoimentos sobre rachadinhas no período em que visitaram gabinete

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) Foto: Reprodução/Rio TV Câmara
O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) Foto: Reprodução/Rio TV Câmara

Imagens da portaria e documentos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro revelam que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) recebeu quatro ex-assessores em seu gabinete no Palácio Pedro Ernesto, em 30 de outubro de 2019. No mesmo período, os ex-funcionários do filho 02 do presidente Jair Bolsonaro prestaram depoimentos em investigação sobre suspeitas de “rachadinha” ligadas ao gabinete. A informação é do jornal O Globo.

Segundo o veículo, também esteve no gabinete de Carlos, no mesmo dia, um ex-auxiliar do senador Flávio Bolsonaro, que era deputado estadual. O ex-auxiliar também é investigado. O jornal afirma que nenhum deles frequentava mais a Câmara Municipal regularmente.

Dois dos ex-auxiliares do vereador são irmãos e constaram como assessores de Carlos entre 2001 e 2008, e a Câmara não tem registro de visita dos dois ao gabinete deste 2015. Eles entraram no Palácio Pedro Ernesto acompanhados da mãe, no dia 30, de acordo com a reportagem. Ela também havia sido exonerada no início de 2019. Os outros dois ex-auxiliares são pai e filho, diz O Globo. Eles só estiveram juntos no Palácio em junho.

Carlos e Flávio são alvos do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) em procedimentos sobre suspeitas de uso de funcionários fantasmas para devolução de salários, prática que leva o nome de “rachadinha”. O jornal procurou o gabinete de Carlos, mas afirmou não ter recebido resposta. O advogado de Flávio, Frederick Wassef, não respondeu sobre a visita do ex-assessor e disse que há “obsessão” nas reportagens “contra a família Bolsonaro”.

 

Também procurados pelo veículo, os ex-assessores não explicaram o motivo da visita no dia 30. Os irmãos Rafael de Carvalho Góes e Rodrigo de Carvalho Góes estiveram na Câmara dos Vereadores, acompanhados da mãe Neula de Carvalho Góes, entre 10h e 13h16. Segundo o jornal, enquanto estiveram empregados entre 2001 e 2008, Rafael e Rodrigo receberam 557 mil reais cada, enquanto Neula obteve 1,4 milhão de reais entre 2001 e 2019.

Durante a tarde do mesmo dia, entre 15h05 e 17h45, estiveram no gabinete de Carlos os ex-assessores Guilherme dos Santos Hudson e o filho, Guiherme de Siqueira Hudson. De acordo com O Globo, o Hudson pai recebeu 17,7 mil reais pelo período em que foi nomeado. Ele é um dos investigados no inquérito que apura peculato e lavagem de dinheiro no âmbito do gabinete de Flávio. Já o Hudson filho obteve 2,3 milhões de reais pelo período nomeado, entre 2008 e 2018. Ele é primo de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Bolsonaro.

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