Política

Conselho de Ética arquiva pedidos de cassação contra Sâmia, Salles e Lindbergh

Em todos os processos, os relatores entenderam que as condutas questionadas estão protegidas pela imunidade parlamentar

Renato Araújo/Câmara dos Deputados
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O Conselho de Ética da Câmara arquivou, nesta quarta-feira 17, quatro representações que pediam a cassação dos mandatos por quebra de decoro parlamentar dos deputados Ricardo Salles (PL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), General Girão (PL-RN) e Lindbergh Farias (PT-RJ).

Em todos os processos, os relatores entenderam que as condutas questionadas estão protegidas pela imunidade parlamentar.

O caso de Lindbergh envolve uma briga com a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) em 9 de outubro, dois depois após o início da guerra entre Israel e Hamas. Durante uma discussão acalorada, o parlamentar chamou a colega de “terrorista”. Ela rebateu dizendo que o petista era um “machista nojento”.

O relator, deputado Gabriel Mota (Republicanos-RR), apresentou um parecer pelo arquivamento por entender que a declaração ocorreu em “um momento de acentuado embate político-ideológico envolvendo ataques a Israel e crítica a uma aliada do ex-presidente”.

As representações contra Sâmia e Salles se referem à atuação de ambos na CPI que invetigou as ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A parlamentar do PSOL foi alvo de uma ação protocolada pelo PL pouco dias antes do recesso da Câmara, na qual a sigla reúne trechos de várias discussões dela com integrantes do colegiado.

Há, por exemplo, um episódio em que a psolista disse que Salles “tem interesse ideológico, político e econômico” na CPI e “é financiado” por adversários do movimento. Em outro caso, ela chamou General Girão de “terrorista” e “fascista”.

Já o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PL) foi acusado por PT, PSOL, PCdoB e PSB. Os partidos pediram a cassação de Salles em razão de elogios que ele fez ao golpe militar de 1964. Durante uma sessão da CPI, em agosto, o bolsonarista se referiu ao episódio como “revolução de 64” e disse que estava “dando um recado aos militares”.

No caso de Girão, a representação tratava de uma ameaça feita por ele durante uma sessão da Comissão de Relações Exteriores em maio passado. Na ocasião, prometeu “dar um soco” no deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) e disse que Sâmia “se vale de ser mulher para silenciar os demais e se vitimizar”.

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