Política
Conselho de Ética aprova suspensão de Marcos Pollon por ofensas a Hugo Motta
O parecer foi aprovado por 9 votos a 4. O deputado bolsonarista ainda poderá recorrer à CCJ antes da decisão do plenário
O Conselho de Ética da Câmara aprovou nesta terça-feira 9 um parecer que recomenda a suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) por três meses. A decisão foi tomada por 9 votos favoráveis e 4 contrários, após a conclusão de um processo disciplinar relacionado a declarações proferidas pelo bolsonarista contra o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O relatório de Ricardo Maia (MDB-BA) sustenta que as manifestações de Pollon ultrapassaram os limites da crítica e configuraram quebra de decoro parlamentar. Segundo o relator, a prerrogativa da imunidade parlamentar não abrange ofensas pessoais incompatíveis com a dignidade do mandato.
A representação mira um discurso de Pollon durante um ato em Campo Grande (MS), no qual o deputado criticou a condução da pauta da Câmara e atacou Motta ao comentar a falta de votação da proposta de anistia aos golpistas de 8 de Janeiro. Na ocasião, disse: “A anistia está na conta da porra do Hugo Motta. Nós queremos colocar o povo para enfrentar o Alexandre de Moraes, mas nós não podemos peitar o bosta do Hugo Motta, um baixinho de um metro e sessenta”.
Durante a tramitação do processo, a defesa do deputado argumentou que não houve intenção de desrespeitar o presidente da Câmara e sustentou que as declarações não caracterizam quebra de decoro.
A recomendação de suspensão não tem efeito imediato. Pollon poderá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e, na sequência, caberá ao plenário decidir se confirma ou rejeita a punição sugerida pelo Conselho de Ética.
O deputado já responde a outro processo disciplinar. No caso anterior, o Conselho aprovou um parecer que recomenda sua suspensão por dois meses em razão da ocupação da Mesa Diretora durante protestos ocorridos em agosto de 2025. A matéria também aguarda deliberação do plenário.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Conselho de Ética analisa 12 representações contra deputados; Erika Hilton, Lindbergh e Alfredo Gaspar estão entre os alvos
Por Vinícius Nunes
Por unanimidade, STF derruba a ’emenda Master’ de Hugo Motta
Por Gabriel Andrade



