Justiça
Congresso recorre de decisão de Dino que impôs limites aos pagamentos de emendas Pix
Legislativo diz que decisão pode impor ‘autonomia desmedida’ ao Executivo; só neste ano, mais de 8 bilhões de reais já foram autorizados na modalidade
O Congresso Nacional recorreu da decisão tomada na última quinta-feira 8 pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs limites na execução das emendas Pix.
O recurso foi apresentado nesta quinta-feira 8. O Legislativo argumentou que as regras determinadas pelo ministro podem conferir uma “autonomia desmedida” ao Executivo.
“A pretensão de subverter essa divisão constitucional, delegando ao Executivo uma autonomia desmedida sem a devida regulamentação legislativa, implica um atentado às determinações constitucionais que estruturam o Estado Democrático de Direito”, diz um trecho da peça.
As emendas Pix tem uma particularidade: por meio delas, recursos podem ser transferidos pelo parlamentares de maneira direta a estados e municípios. Portanto, a modalidade dispensa a apresentação de projetos que necessitem da verba. Some-se a isso o fato de que precisam passar pelos ministérios.
Na decisão de ontem, Dino considerou que estão autorizadas apenas as transferências que atendem a requisitos de transparência e de rastreabilidade dos valores. O ministro liberou o repasse de recursos para obras em andamento para atender a situações de calamidade pública.
O ministro ainda destacou que é necessário que haja inovações no modelo de transferência de verba, uma vez que a dificuldade de controlar qual o real destino dos recursos pode levar a um “perigoso e inconstitucional jogo de empurra”.
Para o Congresso, porém, “a norma constitucional – ao estabelecer uma modalidade de transferência de recursos entre entes públicos – não afronta o princípio da publicidade ou viola quaisquer direitos dos cidadão relacionados ao controle da Administração Pública”, segundo o recurso.
Na peça, o Legislativo lança mão do argumento de que, caso o STF não modifique a decisão, a saúde “pode acabar sendo preterida devido às complicações adicionais impostas pelo novo requisito de planejamento e aprovação”, já que é uma área que “frequentemente exige respostas rápidas e flexíveis para atender às demandas emergentes da população”.
As emendas Pix foram criadas em 2019. Elas não só são menos transparentes, quando comparadas a outras modalidades de transferência de recursos, como somam valores consideráveis.
Segundo a Associação Contas Abertas, deputados e senadores destinaram 6,7 bilhões de reais aos seus redutos por meio de emendas Pix, em 2023.
Só neste ano, segundo um levantamento da Transparência Brasil divulgado pela GloboNews, já foram autorizados mais de 8,2 bilhões de reais. Uma quantidade ínfima – menos de 1% – conta com informações sobre o beneficiário (prefeituras e estados, por exemplo) e como o recurso será utilizado.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Câmara aprova destinação de 5% de emendas parlamentares a catástrofes
Por CartaCapital
Lira e Gonet se encontram após ação da PGR contra emendas Pix
Por CartaCapital
Dino mantém suspensão do pagamento de emendas Pix após pedido da PGR
Por Wendal Carmo
PGR pede ao STF que declare inconstitucionais as ’emendas Pix’
Por CartaCapital
Barroso tira de Gilmar e envia a Dino a relatoria de ação contra as ’emendas Pix’
Por CartaCapital
Dino pede que ministérios e Congresso revelem autores de emendas de comissão
Por Wendal Carmo



