Justiça

Com quebra de sigilos, oposição trabalha para recolocar Lulinha no centro da guerra eleitoral de 2026

Embora o filho do presidente não esteja, até aqui, juridicamente encrencado, a decisão do colegiado – somada à determinação de André Mendonça junto à PF – pressiona o Planalto de forma ainda imprevisível

Com quebra de sigilos, oposição trabalha para recolocar Lulinha no centro da guerra eleitoral de 2026
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O presidente Lula (PT). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Eleições 2026

A decisão da CPMI do INSS, na quinta-feira 26, de aprovar a quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seguida de autorização semelhante no âmbito do Supremo Tribunal Federal pelo ministro André Mendonça, deu à oposição bolsonarista o combustível de que ela precisava para associar o governo Lula (PT) a um possível caso de corrupção.

Se a base governista trabalha desde o início da investigação para afastar a narrativa de que a gestão petista tem responsabilidade direta nas fraudes do INSS, a oposição atua, agora, para desgastar a imagem do presidente, insistindo na exposição do nome de seu filho e criando um ambiente na CPMI de forte potencial para pautar as eleições.

Empresário, Lulinha é o filho mais velho do presidente Lula. Formado em biologia, ele ficou mais conhecido nacionalmente por sua atuação empresarial e pelo envolvimento, em diferentes momentos, em episódios de interesse público.

Seu nome esteve associado, em diferentes momentos, a acusações e especulações amplamente difundidas, muitas delas sem comprovação, como a falsa alegação de que seria proprietário da Friboi ou dono de uma “Ferrari de ouro”. Agora, Lulinha volta ao noticiário no contexto das investigações sobre o esquema de fraudes no INSS, que apura descontos irregulares aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas. O caso é investigado pela Polícia Federal e também está sob análise do Congresso.

O motivo de sua implicação, até aqui, não é uma acusação formal de participação nos desvios, mas o fato de documentos e mensagens interceptadas mencionarem pagamentos regulares, como uma “mesada” de 300 mil reais, ligados ao principal operador do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, e à empresa de Roberta Luchsinger, que teve relações comerciais e pessoais com Lulinha. Essa conexão levou congressistas da comissão a aprovar a quebra de seu sigilo bancário e fiscal para tentar verificar o destino e a origem desses recursos.

Embora Lulinha não esteja, até aqui, juridicamente encrencado, a decisão do colegiado, somada à determinação de André Mendonça para quebrar seu sigilo junto à PF — enviada em janeiro, mas só agora revelada pela imprensa —, produz efeito políticos ainda difíceis de prever.

Em um contexto eleitoral tão acirrado, não é preciso provar antes de explorar. Basta manter o tema vivo. A estratégia da oposição, portanto, será sustentar o tema no debate nas sessões da CPMI, nas redes sociais e no discurso, pelo menos até outubro, quando ocorre o primeiro turno da eleição de 2026. 

Do lado do governo, a orientação é separar as esferas. Lula tem dito publicamente que, se houve malfeito, o filho deve ser punido. A defesa de Lulinha afirma que ele não cometeu irregularidades e que está disposto a prestar esclarecimentos.

Se as apurações não encontrarem irregularidades, o governo poderá argumentar que houve transparência e que o caso foi esclarecido. Mas até lá, o tema cumpre sua função para a oposição. 

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