Justiça
Chanceler diz a Moraes que visita de assessor de Trump a Bolsonaro pode ser intromissão no Brasil
O ex-presidente insiste em receber Darren Beattie em data diferente da que o ministro do STF designou
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira 12, em ofício enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que uma possível visita de um assessor de Donald Trump a Jair Bolsonaro (PL) pode representar “indevida ingerência nos assuntos internos” do Brasil.
Mais cedo nesta quinta, Moraes solicitou ao Itamaraty informações sobre a existência de agenda diplomática de Darren Beattie, conselheiro sênior de Trump para políticas relacionadas ao Brasil, e sobre um eventual pedido para se encontrar com Bolsonaro na prisão.
Em resposta, Vieira disse que apenas na quarta-feira 11, depois de a defesa de Bolsonaro solicitar ao STF autorização para ele receber Beattie na Papudinha, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília manifestou interesse em agendas com o Ministério das Relações Exteriores — por e-mail e WhatsApp.
Primeiro, a embaixada solicitou uma reunião na próxima terça-feira 17 entre o conselheiro de Trump e a Coordenação-Geral de Ilícitos Transnacionais. No mesmo dia, por WhatsApp, um diplomata da embaixada pediu um encontro entre Beattie e o secretário de Europa e América do Norte, Roberto Abdalla, também na próxima terça.
Nenhuma das reuniões solicitadas está confirmada, segundo o Itamaraty.
“Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, acrescentou o chanceler.
Moraes já havia autorizado Bolsonaro a receber Beattie na próxima quarta-feira 18. A defesa do ex-presidente, porém, solicitou reconsideração, sob o argumento de que o assessor de Trump estará no Brasil entre segunda e terça.
Os advogados esperam, portanto, que o STF abra uma exceção, uma vez que as visitas ao ex-capitão ocorrem normalmente às quartas e aos sábados, conforme as regras da Papudinha, onde ele cumpre a pena de 27 anos de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado.
Beattie trabalha desde o mês passado no setor do Departamento de Estado norte-americano responsável por propor e supervisionar as políticas de Washington sobre Brasília. O conselheiro de Trump já se referiu a Moraes como o “principal arquiteto da censura e da perseguição” a Bolsonaro.
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