Centrais sindicais apresentam reivindicações em reunião com Arthur Lira

Candidato a presidente da Câmara teria se mostrado 'favorável' à renda mínima, mas sem dizer como instituí-la

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL),  presidente da Câmara. Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara. Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Política

As centrais sindicais apresentaram uma agenda de reivindicações ao deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato a presidente da Câmara indicado pelo presidente Jair Bolsonaro. Houve uma reunião com representantes das entidades em Brasília na manhã desta segunda-feira 11.

 

 

Estiveram presentes os presidentes da Força Sindical, Miguel Torres, e da Central Única dos Trabalhadores, Sérgio Nobre; representantes da União Geral dos Trabalhadores, da Nova Central e da Central dos Sindicatos Brasileiros; e Marcelo Ramos (PL-AM), deputado que concorre como vice de Lira.

Foi o primeiro encontro das centrais com Lira na condição de concorrente formal ao comando da Casa.

Na “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora para o Brasil”, divulgada em 5 de janeiro, as centrais defendem a prorrogação do auxílio emergencial de 600 reais e a publicação de um plano de vacinação contra a Covid-19, entre outras demandas.

Segundo Miguel Torres, Lira mostrou sensibilidade à prorrogação do auxílio, mas afirmou que foi vencido na Câmara, no ano passado, ao tentar instituir um modelo de transferência de renda. Haveria também a necessidade de aprovar o orçamento de 2021, votação que trava a elaboração de medidas relativas à renda mínima. Portanto, Lira não teria prometido que atuará pela retomada do auxílio emergencial, mas teria citado um “cenário mais propício” a partir de fevereiro.

“Ele demonstrou que tem afinidade ao tema. Ele não falou que vai fazer, mas que tem que ter saídas para dar uma renda mínima nesse momento grave. O que ele levantou a mais é que não tem condições de fazer hoje, porque não há nada que diga de onde tirar [o dinheiro], já que o orçamento não foi votado”, afirmou Torres a CartaCapital.

 

“Ele falou que é favorável, mas não falou como fazer”, disse Torres, sobre a sinalização de Lira à garantia de renda mínima.

 

Lira também teria reconhecido a importância de um calendário para a vacinação universal contra a Covid-19 e de estímulos à geração e manutenção de empregos. Também teria dito que, se eleito, manterá diálogo com as centrais sindicais e com os movimentos sociais. “Fomos muito bem recebidos”, disse Torres.

Não teria entrado na pauta da reunião o tema do impeachment contra Bolsonaro. Há 60 pedidos na mesa da presidência da Câmara, de onde necessariamente começa a análise para a abertura desse tipo de processo. Ao mesmo tempo, na avaliação de Torres, o Congresso fica cada vez mais “sensível” ao desgaste do presidente da República.

“A população começa a ficar muito crítica. Particularmente, acho que ainda deve crescer a pressão sobre o Congresso”, afirmou o sindicalista.

Em entrevista a CartaCapital em dezembro, Torres demonstrou dúvidas sobre uma subordinação total de Lira ao Palácio do Planalto. O presidente da Força Sindical disse que teve variados encontros com o deputado. “Nós já conversamos com o Arthur Lira muito antes de ele ser indicado como candidato”, declarou, na ocasião. “Não sei se ele vai ser essa questão 100% governo Bolsonaro.”

As centrais também querem apresentar a mesma agenda a Baleia Rossi (MDB-SP), deputado apoiado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) como adversário de Lira na disputa. A previsão é de que a reunião ocorra na quinta-feira 14, em São Paulo, possivelmente no diretório estadual do MDB.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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