Centrais sindicais defendem prorrogação do auxílio emergencial

Entidades dizem ter enviado ofício a Baleia Rossi (DEM-SP) e Arthur Lira (PP-AL), que disputam a cadeira de presidente da Câmara

Auxílio emergencial foi encerrado em dezembro de 2020. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Auxílio emergencial foi encerrado em dezembro de 2020. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Política

Centrais sindicais vão apresentar uma agenda de reivindicações ao presidente do Supremo Tribunal FederalLuiz Fux, e aos candidatos às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Entre as prioridades, estão a prorrogação do auxílio emergencial de 600 reais e a publicação de um plano de vacinação contra a Covid-19.

 

 

 

Segundo a União Geral dos Trabalhadores, as centrais já enviaram ofícios aos deputados Baleia Rossi (DEM-SP) e Arthur Lira (PP-AL), que competem pela presidência da Câmara. As entidades solicitaram reunião para apresentar o que chamam de “Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora para o Brasil”. Há expectativa para um dos primeiros encontros com Baleia Rossi na semana que vem, em São Paulo. Com Lira, as centrais já têm conversas desde 2020.

A decisão consta em documento do Fórum das Centrais Sindicais, escrito após reunião na terça-feira 5, entre os presidentes da UGT, da Força Sindical, da CUT, da Nova Central, da Central dos Sindicatos Brasileiros e da Central dos Trabalhadores Brasileiros.

No texto “Vacina, proteção e mais empregos: diretrizes para a ação sindical unitária”, as centrais afirmam que o fim do auxílio emergencial e da proteção dos salários e dos empregos “será dramático para milhões de trabalhadores e suas famílias, com o aumento da pobreza e da miséria”.

“A crise econômica e sanitária é agravada pelas estarrecedoras práticas do governo Bolsonaro, que destrói políticas, programas e organizações públicas em todas as áreas, inclusive na área da saúde”, escrevem as seis centrais.

Além da vacinação e da manutenção do auxílio, as entidades pedem medidas de geração de empregos, firmam compromissos em manter campanhas de solidariedade e reforçam a necessidade de recuperar a organização sindical.

Os líderes também querem a reversão do teto de gastos, que limita os gastos com despesas públicas. Com o fim do decreto de calamidade pública em 31 de dezembro, o Brasil é novamente obrigado a respeitar a regra fiscal.

“Nós estamos em uma guerra, temos que ter uma economia de guerra”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, a CartaCapital. “Para atender os gastos de enfrentamento à pandemia, defendemos que esse teto seja quebrado. A crise vai se agravar muito, precisamos dessa capacidade política.”

Em nota nesta quarta-feira 6, a CTB divulgou uma nota conjunta com a Central Geral de Trabalhadores do Brasil, que chama Bolsonaro de “inimigo número 1” dos trabalhadores, por não ter anunciado a prorrogação do auxílio emergencial. “Como ficarão os mais vulneráveis, os que labutam por conta própria e autônomos, os assalariados sem registro em carteira e as trabalhadoras domésticas?”, indagam.

A Central Sindical e Popular – Conlutas também divulgou uma nota em que afirma que a suspensão do benefício é “uma medida cruel” e que “enorme camada da população inicia o ano sem perspectivas”. A Intersindical mantém em destaque de seu portal uma nota de setembro, em que levanta a mesma bandeira.

Dentro do Congresso Nacional, a expectativa é de que haja aprovação de alguma medida que amplie a transferência de renda neste período, mas ainda não há definição sobre as condições de participação e o modelo da medida – por exemplo, estender o auxílio emergencial ou redesenhar o Bolsa Família. A última parcela do auxílio foi paga em dezembro de 2020, sem anúncio de novos pagamentos.

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Repórter do site de CartaCapital

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