Justiça
Cela de Bolsonaro na Papudinha tem 54 m² e área externa
O ex-capitão estava detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas foi transferido por ordem de Moraes
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi levado nesta quinta-feira 15 para uma sala no 19º batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como “Papudinha”. O ex-capitão estava detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas foi transferido por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
No local estão presos o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, ambos condenados pelo STF por participação na tentativa de golpe. A ex-cúpula da Polícia Militar do DF, também condenada no Supremo omissão nos atos golpistas de 8 de Janeiro, ficaram presos na Papudinha durante breve período.
O local ganhou o apelido de “Papudinha” por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. O edifício fica a poucos metros das unidades para presos comuns, no Jardim Botânico, e tem capacidade para 60 presos. Até novembro de 2025, cerca de 52 pessoas cumpriam pena no 19º BPM, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária do DF.
A unidade possui uma área total de 64,83 metros quadrados, sendo 54,76 cobertos e 10,07 externos. A infraestrutura inclui ambientes como banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa. Além disso, as acomodações individuais contam com cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, banheiro com chuveiro elétrico, geladeira, armários, cama de casal e TV.
‘Papudinha’ vista de cima – Reprodução/Google Maps
Na decisão que ordenou a transferência, Moraes citou a “total ausência de veracidade nas reclamações” da defesa de Bolsonaro sobre as condições da carceragem da PF. Entre as situações estão as queixas sobre o tamanho das dependências da prisão, o tempo de banho de sol e do horário de visitas, do barulho do ar condicionado e da origem da comida dada ao preso.
Por isso, o ministro considerou que a custódia na Papudinha seria mais propícia para o ex-capitão em razão das reclamações dos advogados e dos familiares. “A transferência possibilitará o início imediato da intervenção fisioterapêutica requerida pela Defesa que, segundo seus médicos, precisa ser realizada no início da noite, o que não é possível na Superintendência da Polícia Federal, em virtude das condições administrativas e de segurança, mas será plenamente viável no novo local do custodiado”, escreveu Moraes.
Na unidade são servidas cinco refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia) e o réu tem possibilidade de realizar o banho de sol em um espaço externo, com total privacidade e horário livre. “O local ainda comporta a instalação de equipamentos de ginástica, tais como esteira e bicicleta”, acrescentou Moraes. O ministro também ressaltou o espaço e grade de horários amplos para visitas, que poderão ocorrer na área coberta ou na externa, em três horários diferentes durante dois dias da semana.
Também há no batalhão um posto de saúde com uma equipe composta por 2 médicos clínicos, 3 enfermeiros, 2 dentistas, um assistente social, 2 psicólogos, um fisioterapeuta, 3 técnicos de enfermagem, psiquiatra e farmacêutico.
Em regra, ficam detidos na Papudinha militares estaduais que ainda mantêm vínculo com a PM-DF, presos militares aguardando eventual condenação que possa resultar na perda do cargo e civis com direito à Sala de Estado-Maior, conforme previsto em lei (a exemplo de advogados regularmente inscritos na OAB e autoridades).
Veja como será a cela de Bolsonaro:
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