Candidatura do PSOL à presidência da Câmara aumenta pressão pelo impeachment, diz presidente

Partido opta por Erundina e justifica posição pela falta de compromisso de Baleia Rossi

Luiza Erundina e Jair Bolsonaro. Fotos: Wilson Dias/Agência Brasil e Evaristo Sá/AFP

Luiza Erundina e Jair Bolsonaro. Fotos: Wilson Dias/Agência Brasil e Evaristo Sá/AFP

Política

O PSOL oficializou na última segunda-feira 18 o lançamento da candidatura da deputada federal Luiza Erundina (SP) à presidência da Câmara. A eleição será realizada no dia 1º de fevereiro.

 

 

A decisão destoa da opção de siglas de esquerda e centro-esquerda, como PT, PSB, PDT e PCdoB, que se juntaram ao bloco do candidato Baleia Rossi (MDB-SP), capitaneado pelo atual presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e adversário de Arthur Lira (PP-AL), o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro.

“A eleição tem dois turnos. É muito importante, do nosso ponto de vista, que as propostas da esquerda tenham vez e voz. Respeitamos e compreendemos as razões que levaram muitos partidos de esquerda que ainda não eram parte do bloco liderado por Rodrigo Maia a compor esse bloco, mas ninguém pode acusar o PSOL de divisão, na medida em que estamos apenas defendendo as nossas posições, que são públicas e conhecidas de todos”, afirmou o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, em contato com CartaCapital.

Na última sexta-feira 15, após confirmar que lançaria um nome próprio à presidência da Câmara, a Executiva Nacional do PSOL antecipou que caso a candidatura de esquerda não chegue ao segundo turno, “orienta o voto da bancada no candidato que representar uma alternativa àquele apoiado pelo governo Jair Bolsonaro”.

Segundo o presidente do PSOL, a decisão de candidatura solo passa pela apresentação de temas que não devem fazer parte do programa de Baleia Rossi.

“Nós acreditamos que é importante que as ideias propostas e as posições de esquerda tenham voz no primeiro turno. Sem a candidatura de Luiza Erundina, temas como impeachment, revogação do teto de gastos e reversão das propostas neoliberais aprovadas no governo Temer e no governo Bolsonaro ficariam totalmente ausentes do debate”, acrescenta Medeiros.

O PSOL também aponta que Baleia “não se comprometeu com o impeachment de Bolsonaro”.

“Seguiremos pressionando a favor da instalação do processo de impeachment independentemente de quem for o presidente da Câmara. Nos últimos dois anos, Rodrigo Maia, do bloco de Baleia Rossi, teve oportunidade de instalar um dos processos de impeachment e não o fez. Portanto, a um partido de oposição como o PSOL só cabe ampliar a pressão”, explica Juliano Medeiros. “Qualquer que seja o resultado, é dever da oposição seguir pressionando dentro e fora da Câmara pela instalação do processo de impeachment”.

 

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