Política

Canais bolsonaristas têm receita milionária com fake news sobre a eleição, mostra levantamento

No centro da produção está um ataque constante às urnas eletrônicas e a todo o sistema eleitoral brasileiro

Apoiadores de Jair Bolsonaro em manifestação no Dia do Exército, em Brasília, em 2021. Foto: Sergio Lima/AFP
Apoiadores de Jair Bolsonaro em manifestação no Dia do Exército, em Brasília, em 2021. Foto: Sergio Lima/AFP
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Um levantamento promovido pelo jornal O Globo e pelas empresas Novelo Data e Bites aponta que canais alinhados ao presidente Jair Bolsonaro (PL) embolsaram até 1 milhão de reais com 1.960 vídeos no YouTube, os quais somam 57,9 milhões de visualizações.

No centro da produção está um ataque constante às urnas eletrônicas e a todo o sistema eleitoral brasileiro. De acordo com o monitoramento, o número de vídeos instigando desconfiança no pleito disparou: o volume em 2020 era de 197 e chegou a 1.212 no ano passado, marcado pela rejeição, na Câmara dos Deputados, da chamada PEC do Voto Impresso.

Também compõe a estratégia a produção de vídeos que tentam desacreditar as pesquisas eleitorais. O ex-presidente Lula (PT) aparece na liderança dos principais levantamentos de intenção de voto.

“Moderação de conteúdo exige atenção às nuances, mas fica claro que mesmo vídeos frontalmente contrários às políticas do YouTube, como a live sobre urnas de Jair Bolsonaro, seguem no ar”, afirmou ao Globo Guilherme Felitti, da Novelo Data.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tem reiterado que a liberdade de expressão, inclusive nas redes sociais, não é absoluta. As plataformas digitais, reforçou, não podem ser vistas como espaços alheios ao “resto do mundo”. Ele é um dos alvos preferenciais de Bolsonaro e de sua militância.

Em palestra na Faculdade de Direito da USP na última sexta-feira 27, Moraes afirmou que “o populismo de extrema-direita capturou as redes” e que “o mundo jurídico se acovardou e criou uma falsa ideia de liberdade de expressão que não existe para nada”.

As redes sociais, argumentou o ministro, nasceram democraticamente, como um mecanismo para oferecer voz à população e se prestar, por exemplo, à divulgação de ideias democráticas. A partir dali, porém, o populismo de extrema-direita cooptou as plataformas de modo “extremamente competente”. Os inquéritos das Fake News e das Milícias Digitais, prosseguiu, expuseram esse sistema.

Segundo Moraes, há quatro núcleos envolvidos na atuação dessas milícias nas redes:

  • Produção: memes, vídeos sobre “notícias” e outros instrumentos são criados com grande rapidez;
  • Divulgação: a cargo, especialmente, de robôs. O objetivo é fazer com que a “notícia” chegue aos tópicos mais discutidos nas redes, o que legitima o terceiro núcleo;
  • Político: políticos com mandato, influencers etc replicam o conteúdo e tentam criar a impressão de que “o povo” defende aquelas ideias;
  • Financeiro: paga por tudo isso, não só com interesse político, mas com objetivo econômico.

CartaCapital
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