Política

Campanha do MEC sobre Prouni é acusada de racismo

Imagem compartilhada nas redes sociais coloca a mão de uma pessoa branca segurando um diploma em uma estudante negra

 Foto: Agência Brasil  Foto: Agência Brasil
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O Ministério da Educação postou, na última quinta-feira 13, uma foto no Twitter anunciando as inscrições do Prouni 2019. Na foto, uma estudante negra segura uma mochila e aponta para a mão segurando um diploma. O problema é que eles fizeram um recorte na imagem e colocaram a mão de uma pessoa branca segurando o canudo.

Imediatamente internautas começaram a acusar a campanha de ser racista e que deixaram uma mensagem que apenas pessoas brancas têm acesso às universidades no Brasil. “Enem causa branqueamento?”, questionou um seguidor.

E não foi só no Twitter que a polêmica aconteceu. Na conta do Instagram do Ministério, um vídeo com a imagem foi mais além. Colocaram, também, a cabeça de uma pessoa branca na foto original, que é uma estudante negra.

“Uma propaganda como essas só devolve o que a nova orientação do MEC pensa, mas não diz: que esse é um governo de brancos para brancos e que não consegue entender que a diversidade é nossa melhor face”, disse uma seguidora no Instagram, que fez uma análise sobre o caso.

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Muitas vezes os esteriótipos e preconceitos atuam de maneira, pretensamente, invisível. Ou seja, mostram e não mostram a sua realidade. Na quinta passada, dia 13, o Ministério da Educação divulgou em suas redes uma propaganda em que uma mulher negra e jovem aparece sorridente e apontando com uma das mãos o desejado canudo, com o diploma de formatura. A propaganda divulga o último dia de inscrição para concorrer a bolsas que dão 50% ou 100% para cursos de uma instituição privada. Até aí não há problema algum. O problema se localiza, porém, nos pequenos grandes detalhes. A moça sorridente entra na faculdade como negra e sai diplomada como branca! Tanto que a mão negra com um dedo em riste mostra o “desejado” canudo que é carregado por uma mão (pasmem) branca. No Instagram a imagem consegue ser ainda mais direta: mostra um vídeo com a mesma moça e, como num processo evolutivo, sobre o rosto da jovem com penteado afro outro se sobrepõe; uma mulher branca e com cabelos lisos. Branqueamento foi uma política oficial do governo brasileiro que inclusive participou do Congresso Universal das Raças em 1911, realizado em Londres, e com um texto (que pode ser encontrado na internet) chamado “Sobre os mestiços”, de autoria de João Batista Lacerda (diretor do Museu Nacional) e que reproduzia a tela “A Redenção de Can” (de Modesto Brocos, 1895). Nela a mensagem era direta: em um século, a população brasileira seria branca; grega até. Há quem diga que essa conversa é mimimi. Pois não é! É passada a hora de entendermos a dimensão política do poder simbólico. O determinismo racial e as políticas do branqueamento não são mais teorias oficiais, mas fazem parte (como podemos notar pela imagem que acompanha esse texto) da poderosa “teoria do senso comum”. Uma propaganda como essas só devolve o que a nova orientação do MEC pensa, mas não diz: que esse é um governo de brancos para brancos e que não consegue entender que a diversidade é nossa melhor face. Com um Brasil mais plural seremos mais, nunca menos. Já pregar subliminarmente o oposto significa revelar como são tacanhos e pequenos os projetos e utopias desse governo.

Uma publicação compartilhada por Lilia Moritz Schwarcz (@liliaschwarcz) em

Alexandre Putti

Alexandre Putti Repórter do site de CartaCapital

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