Política

Câmara pressiona para votar PL que flexibiliza regras estaduais para porte de armas

Após o Supremo derrubar leis sobre o tema, a CCJ deve voltar a analisar o projeto da deputada Caroline de Toni (PL-SC) pela flexibilização das regras

Câmara pressiona para votar PL que flexibiliza regras estaduais para porte de armas
Câmara pressiona para votar PL que flexibiliza regras estaduais para porte de armas
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

Um novo embate entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal pode vir à tona nesta semana. Isto porque, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira 23, o PL que autoriza os Estados a definirem suas próprias leis sobre porte e posse de armas

Não é à toa que o tema retorna à agenda da CCJ. Pelo menos, desde fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal vem analisando ações movidas pelo governo, através da AGU, contra leis estaduais que facilitam o porte de armas a servidores públicos. 

Os estados do Paraná, Espírito Santo e Distrito Federal, por exemplo, tiveram suas leis sobre o tema derrubadas pelo Supremo.

Nas votações, a maioria dos ministros do STF defendeu que a regulação sobre o porte de armas de fogo é de competência nacional, argumentando que leis estaduais próprias não são adequadas. Isso visa centralizar as políticas de segurança nacional.

No caso capixaba, o ministro relator, Gilmar Mendes, argumentou que argumentou que a legislação estadual é inconstitucional, pois viola a competência exclusiva da União de legislar sobre material bélico e definir as condições para o porte funcional de arma de fogo. Mendes acrescentou ainda que, atualmente, a matéria é regida pelo Estatuto do Desarmamento

Após essa derrubada, a Câmara quer voltar a debater a proposta de autoria da deputada Caroline de Toni (PL-SC), que visa permitir que estados e o Distrito Federal legislem sobre a posse e o porte de armas de fogo para defesa pessoal, práticas esportivas e controle de espécies invasoras.

A última movimentação sobre o projeto aconteceu no ano passado, quando o PL foi aprovado na Comissão de Segurança Pública. Esperava-se votação na CCJ na semana passada, mas houve um pedido de vista.

O argumento da proposta é que a legislação sobre armas de fogo deve levar em conta as “peculiaridades regionais”.

A fim de passar o texto, o relator, deputado Junio Amaral (PL-MG), apresentou um substitutivo que inclui uma condicionante que estabelece a necessidade de os estados instituírem um sistema de controle de armas integrado ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), mantido pelo Ministério da Justiça.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo