Política

Briga entre Rollemberg e vice expõe racha no DF antes das eleições

O estopim foi a exoneração de 32 funcionários comissionados, alguns dos quais devem trabalhar de graça até o final do ano Era para ser uma sessão solene como qualquer outra. Na manhã de terça-feira, o vice-governador de Distrito Federal, Renato Santana (PSD), subiu ao plenário [...]

Em vídeo de campanha em 2014, governador e vice discursavam juntos(Foto: Reprodução/PSB)
Em vídeo de campanha em 2014, governador e vice discursavam juntos(Foto: Reprodução/PSB)

O estopim foi a exoneração de 32 funcionários comissionados, alguns dos quais devem trabalhar de graça até o final do ano

Era para ser uma sessão solene como qualquer outra. Na manhã de terça-feira, o vice-governador de Distrito Federal, Renato Santana (PSD), subiu ao plenário da Câmara dos Deputados para prestar homenagem à capital, que completava 58 anos de fundação. Ele optou por usar, no entanto, boa parte dos 19 minutos em que discursou para criticar duramente o próprio chefe, o governadorRodrigo Rollemberg (PSB).

Santana acusou o governador de ser “autoritário e despótico” ao tomar decisões sozinho, como o aumento de passagens de transporte público em fevereiro. Mais grave, no entanto, foi a implicação de que Rollemberg o desprezaria por ser negro e de origem periférica.

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“Rollemberg nunca escondeu seu desprezo pelos mais humildes. Faz um discurso pseudo-socialista, mas no convívio diário não esconde seu elitismo e seus preconceitos”, discursou o vice, permeado por aplausos e semblantes de surpresa. “Pois saiba, governador, que diferente de você, que é filho de ministro e entrou no Senado pela janela, sem concurso, eu estudei em escola pública, fiz concurso e tenho muito orgulho da minha cor e origem.”

A relação entre Rollemberg e Santana já estaria comprometida desde a época da campanha, em 2014. Segundo o vice-governador, os dois nunca se entenderam. Dois episódios serviram de estopim para as declarações do pessedista. No domingo, Rollemberg chamou Santana de “imaturo”, em entrevista ao jornal Correio Braziliense. Um dia depois, demitiu 32 funcionários cuja indicação partia do vice.

Questionado se classificaria as ações do chefe como racistas, o vice desconversou. “Eu disse o que está escrito [no discurso]. Verifique se na rede social da campanha tem algum vídeo meu, negro, filho de feirante, morador da Ceilândia, ao lado dele.”

Há pelo menos um. Uma busca rápida no canal de Rollemberg no Youtube mostra os dois discursando lado a lado, durante passagem de 24 horas pela cidade do DF de Brazlândia na época de campanha.

Rollemberg não quis comentar o incidente em entrevista, mas sua assessoria encaminhou três notas de repúdio. A primeira delas, do próprio Rollemberg, não se distancia muito do tom do vice: “São palavras inconsequentes e irresponsáveis. Falta envergadura moral ao vice para falar em lealdade”.

Sobre as alegações de preconceito, a nota diz: “Santana busca o discurso da vitimização, recorrendo a argumentos estapafúrdios para acusar o governador de preconceitos jamais alegado por qualquer pessoa séria em Brasília. Usa o método sorrateiro para esconder sua incapacidade administrativa”. Como seu vice, o governador ressaltou que “a ação dele não afetará a disposição do Governo de Brasília para melhorar a qualidade de vida da população”.

As outras duas notas, do PSB e de sua frente negra, acusam o vice de mirar as eleições com sua fala. “Ele esperou mais de três anos para denunciar o suposto preconceito, o que revela o seu oportunismo político. É bom registrar que o governador e seu partido apoiam a candidatura de um negro à Presidência da República”, diz a primeira, fazendo referência aorecém-filiado Joaquim Barbosa.

“É lamentável que o primeiro negro a alçar um cargo de tamanha importância no Distrito Federal utilize a cor de sua pele para justificar problemas criados pela sua própria incapacidade de romper com a velha política”, criticou a segunda nota. “A fala de Santana é um desserviço à comunidade negra. Acusações falsas, em véspera de eleições, dão margem para que [pessoas externas ao debate racial] desfiram seus ataques a todos nós e às políticas [pelas quais] lutamos.”

Ainda que o vice e o governador troquem farpas publicamente e não estejam conversando, Santana garantiu que nada deve mudar no processo de tomada de decisões no Palácio do Buriti, sede do governo. “Nunca teve decisão conjunta. Ele sempre tomou as decisões, o que não impediu que eu trabalhasse na rua”, disse a CartaCapital, da linha direta do governo que ele mesmo administra. “Se eu estiver de um lado e ele de outro, e o foco for a coisa pública, vamos estar somando os esforços e vai ser bom para a cidade.”

Santana diz estar à espera da decisão dos dirigentes do PSD para decidir se concorrerá ou não às eleições deste ano — segundo o site Poder360, ele seria pré-candidato ao governo do estado

Rollemberg, que deslanchou em 2014 após a desistência de José Roberto Arruda (PR) — condenado por improbidade no chamado “mensalão do DEM” — também deve tentar a reeleição esse ano. A única pesquisa de intenção de voto para o Buriti, feita pelo jornal brasiliense Metrópoles, foi removida do ar após ação do TRE do estado, promovida pela filha do governador. Os resultados não eram favoráveis ao pessebista.

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