Boulos: reação de Lira é ‘vexatória’ e Bolsonaro não recuará, porque ‘sente o cheiro da cadeia’

A CartaCapital, o líder do MTST afirmou que, a fim de 'parar' Bolsonaro, as instituições têm de dizer: 'Acabou para você, é fim de linha'

O candidato Guilherme Boulos (PSOL). Foto: Reprodução/Twitter

O candidato Guilherme Boulos (PSOL). Foto: Reprodução/Twitter

Política

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, considerou “vexatória” a resposta do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, aos discursos golpistas proferidos por Jair Bolsonaro no 7 de Setembro. O parlamentar declarou que é hora de “dar um basta” às “bravatas e a um eterno palanque”, mas ignorou os mais de 100 pedidos de impeachment do presidente da República.

 

 

“Foi uma resposta vexatória em relação a tudo o que estamos vivendo no País. Arthur Lira foi absolutamente condescendente, para dizer o mínimo, para ser muito respeitoso e eufemístico. Até o presidente do Supremo Tribunal Federal [Luiz Fux] citou o impeachment de forma direta quando fala em crime de responsabilidade. Atacar a Constituição, atacar as instituições democráticas é crime de responsabilidade. Arthur Lira não cita isso. Ele fala que tem de acalmar os ânimos, mas não fala quem é o responsável pela guerra no País hoje: é o presidente da República, que incita um cenário de caos”, avaliou Boulos em entrevista ao programa Direto da Redação, no canal de CartaCapital no Youtube.

“Na verdade, Arthur Lira não tem nada a falar, ele tem a fazer. Ele é uma das poucas pessoas da República que podem fazer algo de forma imediata e contundente para conter isso, que é acatar alguns dos ‘cento e tanto’ pedidos de impeachment sobre a mesa dela. Então, acate, cumpra a responsabilidade e abra o processo de impeachment. A resposta dele é acovardada, longe de estar à altura das ameaças e intimidações golpistas do Bolsonaro”, acrescentou.

Na entrevista, Boulos analisou o pronunciamento de Fux, que afirmou que o STF “jamais aceitará ameaças à sua independência, nem intimidações ao exercício regular de suas funções”. Também declarou que ninguém fechará a Corte.

“O discurso de Fux foi de tom mais elevado, foi um pouco além, até porque o espírito de corpo do Supremo foi atingido com o nível dos ataques que o Bolsonaro. Agora, ele jogou a bola na mão de Arthur Lira”.

 

 

Para o potencial candidato do PSOL ao governo de São Paulo em 2022, Bolsonaro saiu derrotado do 7 de Setembro, já que a mobilização foi inferior ao que esperavam o presidente e seus apoiadores. Boulos também avaliou que o ex-capitão não deve amenizar a tensão política.

“Bolsonaro foi por um caminho que não tem volta. Ele foi por um caminho que não tem como ele falar ‘agora vou me domesticar’. Essa hipótese não está colocada, ele vai continuar tensionando. Ali [família Bolsonaro] vai parar todo mundo na cadeia. Ele sabe disso, está sentindo o cheiro da cadeia e não tem como recuar. Estou convencido de que a única forma de parar Bolsonaro é as instituições e a sociedade dizerem ‘acabou para você, é fim de linha'”, completou o líder do MTST. Ele reforçou a necessidade de uma resposta da população nas ruas e de uma “costura” entre partidos e movimentos sociais pela deposição de Bolsonaro.

Assista à íntegra da entrevista:

 

 

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Repórter do site CartaEducação

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