Bolsonaro volta a insinuar possível golpe após o 7 de Setembro

‘O povo é quem tem que dar o norte do que nós vamos fazer’, alegou o presidente

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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Política

O presidente Jair Bolsonaro novamente afirmou que existe a possibilidade de um golpe após as manifestações do dia 7 de setembro. Segundo o presidente, ele atua ‘dentro das quatro linhas da Constituição’, mas irá ‘ouvir o que o povo vai pedir’ neste dia. As declarações foram dadas em entrevista à rádio Capital Notícia, do Mato Grosso, na manhã desta terça-feira 17.

“Eu tenho que agir dentro das quatro linhas, apesar de alguns como seu Alexandre de Moraes, como o senhor Salomão do TSE, que estão fora das quatro linhas. Agora, onde é o limite disso [agir dentro das quatro linhas]? Eu sou leal ao povo brasileiro e o povo vai estar nas ruas dia 7”, afirmou Bolsonaro. “O povo é quem tem que dar o norte do que nós vamos fazer”,

Recentemente, mensagens enviadas do celular pessoal de Bolsonaro convocaram ‘direitistas’ para participar de atos no dia 7 de setembro para pedir um ‘necessário’ golpe. As mensagens, reveladas pelo portal Metrópoles, foram enviadas a uma lista de ministros, apoiadores e aliados e não trazem o selo de ‘Encaminhada’, indicando terem sido escritas no próprio aparelho. No texto, Bolsonaro destaca que dia 7 na Avenida Paulista, o povo dará o ‘último aviso’.

Mensagens de mesmo teor vindas do cantor Sérgio Reis também viralizaram nos últimos dias. O sertanejo afirma estar organizando um grande movimento de caminhoneiros e fazendeiros em Brasília em apoio ao presidente. No áudio, o cantor faz ameaças aos Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que o Brasil vai parar enquanto o Senado não afastar os ministros da Corte.

“Se em 30 dias não tirarem aqueles caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria”, complementa a ameaça.

O artista é alvo de inquérito, mas alega ter sido mal interpretado. Disse ainda ‘estar muito triste e depressivo’ com a repercussão.

Na entrevista desta terça, Bolsonaro voltou a atacar os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso por atuarem ‘fora dos limites da Constituição’ ao incluírem seu nome em inquéritos que apuram disseminação de fake news e ameaças às eleições, além de prenderem seus apoiadores como Roberto Jefferson.

Nas críticas, o presidente incluiu ainda o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Felipe Salomão, que determinou nesta segunda-feira 16 o bloqueio de canais bolsonaristas nas redes por divulgarem notícias falsas e desinformações. O presidente alega que o Brasil está sob uma ‘ditadura’ e que as ações promovem ‘censura’.

Durante a entrevista, Bolsonaro negou que tenha atacado ou ameaçado a Constituição ou os onze ministros do STF. Segundo o presidente, quem disser o contrário está mentindo, já que nunca falou mal da Constituição, nem atacou os onze ministros, apenas dois: Moraes e Barroso.

Em defesa da prole

Na entrevista, Bolsonaro defendeu ainda o sigilo de 100 anos que decretou sobre o acesso de seus filhos ao Planalto.

“Quando falam que sou ditador porque decretei sigilo de 100 anos na vinda dos meus filhos aqui no Alvorada é verdade. Tem uma lei que permite que no tocante a minha intimidade eu decretar sigilo”, justificou.

Apesar do presidente alegar que as visitas se tratam de foro pessoal, três dos quatro filhos são políticos e investigados por, entre outras acusações, disseminarem notícias falsas e promoverem ataques virtuais a adversários. O mais novo, Renan Bolsonaro, não é parlamentar, mas é alvo de inquérito que apura tráfico de influência em Brasília.

“Estão investigando por fake news, é um absurdo dos absurdos”, afirmou Bolsonaro.

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Repórter do site de CartaCapital

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