Sérgio Reis volta a ficar nu, desta vez por razões muito menos nobres

Sertanejo convocou em vídeos publicados nas redes sociais manifestação a favor de Bolsonaro

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Cultura

O cantor Sérgio Reis foi frequentador da Casa de Eny, em Bauru, que, entre os anos 1950 e 1980, além de ser um dos bordéis mais conhecidos do País, recebia políticos (dizem até presidente da República) e celebridades. Numa das vezes, o cantor havia sido convidado para tocar no prostíbulo numa festa de aniversário de um rico fazendeiro.

O sertanejo já era conhecido. Antes do show e com o público presente já devidamente “calibrado”, o aniversariante pediu para todos tirarem a roupa, inclusive o contratado para a música. Sérgio Reis fez o seu show pelado, acompanhando de um envergonhado violeiro. A história está no livro Crônicas do Grande Bordel (Editora Planeta, 2015), de Lucius de Mello.

Naquela época, o cantor fazia enorme sucesso com a romântica Coração de Papel (composição dele) e Menino da Porteira, clássica música caipira de Teddy Vieira e Luís Raimundo.

Sérgio Reis foi ator e gravou ao lado ícones da música caipira e defensores conhecidos do sertanejo de raiz, como Almir Sater e Renato Teixeira. Ele próprio já foi crítico do chamado sertanejo universitário.

A eleição como deputado federal em 2014 pelo PRB expôs suas posições políticas. Teve um mandato popularesco e votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2018, não se candidatou à reeleição, mas declarou apoio a Jair Bolsonaro.

 

 

A defesa do atual presidente e seus posicionamentos foram sempre claros nas entrevistas em que concedeu nesse período do governo Bolsonaro.

Em vídeos publicados nas redes sociais nos últimos dias, Sérgio Reis, hoje com 81 anos, diz estar organizando para o 7 de setembro um movimento com caminhoneiros e agricultores a favor do presidente em Brasília. Entre as declarações, diz querer “salvar o povo”, “que o exército tome uma posição” e que “vai estar um monte de artistas” na manifestação.

“Depois vamos ficar lá, vamos acampar, vai ter um galpão, vai [sic] ter refeições. Vocês que estão afim de salvar o Brasil, vamos com a gente para Brasília, vocês vão se assustar com o movimento, mas é gente da paz”, diz em um dos trechos do vídeo.

Em outro, acrescenta: “E se eles não obedecerem o nosso pedido, eles vão ver como a cobra vai fumar. Não tem conversa. E ai do caminhoneiro que furar esse bloqueio. Ninguém trafega, ninguém sai”. A verborragia segue.

Sérgio Reis tirou a roupa de novo. Ficou nu. Dessa vez por razões muito menos nobres.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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