Política

Bolsonaro volta a atacar urnas e ministros do STF, mas nega que vai dar golpe

Ex-capitão repetiu, novamente sem apresentar provas, que hackers teriam fraudado eleições de 2018

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) negou nesta segunda-feira 13 que pretende dar um golpe para se manter no poder caso seja derrotado nas eleições de outubro deste ano. Após as afirmações, no entanto, repetiu as declarações infundadas que colocam em xeque o sistema eleitoral.

As declarações desta segunda-feira 13 foram dadas em entrevista à rádio CBN de Recife (PE), na qual ele também voltou a atacar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral que também integram o Supremo Tribunal Federal.

“Olha, o que transparece é exatamente o contrário, querem dar um golpe pra me tirar do poder”, respondeu Bolsonaro ao ser questionado sobre possíveis planos de ruptura.

Antes, acusou Lula (PT) de voltar a disputa eleitoral para se mante indefinidamente no poder. “Ele [Lula] tá crente de que não cometeu crime nenhum, apesar de ter falado tudo isso aí pra vocês. No meu entender, se ele voltar, vai ser pra nunca mais sair”, disse antes de novamente botar em xeque o sistema eletrônico de votação.

Para sustentar suas afirmações de que ele seria vítima de um golpe e não estaria orquestrando uma ruptura, voltou a citar teorias infundadas sobre fraude nas eleições de 2018. Sem apresentar provas, Bolsonaro disse ter sido vencedor daquele pleito ainda no primeiro turno. Sua vitória, segundo defende, só não teria sido confirmada por ação de hackers no sistema eleitoral.

“Quando se fala em golpe, há duas semanas, o ministro [Edson] Fachin convida em torno de 70 embaixadores e fala pra eles, de forma indireta, exatamente o que você me disse, que o presidente estaria preparando um golpe e quer desacreditar o sistema. E mais: ele pediu que, ao anunciar o resultado, os respectivos chefes de estado devem imediatamente reconhecer o ganhador. Ou seja, será que o retrato do final das eleições já está pronto no TSE”, distorceu o ex-capitão.

Na prática, o encontro entre Fachin e representantes internacionais serviu para reafirmar os mecanismos de auditoria nas urnas. A reunião foi uma resposta às críticas levianas levantadas por Bolsonaro e um convite para que organismos internacionais acompanhem o pleito de outubro deste ano.

Na conversa desta segunda-feira, Bolsonaro fez ainda novos ataques aos ministros da Suprema Corte, citando diretamente Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. No mais incisivo deles, acusou Fachin, atual presidente do TSE, de dever favores a Lula e por isso atuar para, nas palavras de Bolsonaro, impedir que seja feito uma apuração paralela das eleições.

“Qual foi o ministro relator que botou Lula em liberdade? Foi o Fachin, que é o presidente do TSE. Eu tenho que acreditar nele? Ele é um petista. Ele é um lulista. Ele deve favores ao Lula”, atacou o ex-capitão.

Para explicar a apuração simultânea ou paralela, que tem defendido junto com membros das Forças Armadas, Bolsonaro citou o exemplo de como se apuram os números sorteados na Mega Sena. O paralelismo ao jogo, no entanto, faz pouco sentido.

Em outro trecho da conversa, Bolsonaro também negou que tenha pedido a Joe Biden ajuda dos Estados Unidos para vencer Lula. A informação foi divulgada no domingo pela agência de notícias Bloomberg com base em relatos de fontes que acompanharam o encontro entre o brasileiro e o norte-americano.

“Não existe isso daí. […] É especulação”, disse ele sem, no entanto, fornecer detalhes dos temas tratados na reunião. “O que tratamos ali é reservado, cada um pode falar o que bem entender. O que conversei com o Biden não sai de mim e não sai do Carlos França. Assim como o que conversei com Putin fica entre nós”, destacou Bolsonaro.

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