Política

Bolsonaro questiona assassinato de índio e tem postura condenada pela ONU

Presidente diz que ‘não tem nenhum indício forte’ em relação à morte de cacique, confirmada pela Funai no sábado

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Jair Bolsonaro afirmou, na manhã desta segunda-feira 29, que ‘não tem nenhum indício forte’ relacionado ao assassinato de um indígena no Amapá. O presidente também alegou que “usam o índio como massa de manobra” e que ONGs estariam interessadas nas riquezas da Amazônia.

A declaração foi dada para jornalistas no Palácio da Alvorada. Bolsonaro questionou o por quê das terras demarcadas no Brasil estarem apenas em áreas ‘riquíssimas’, e ainda afirmou que a Amazônia pode se transformar em outros países. “Por que não legalizaram indígena em cima de terra pobre? Não existe. Há um interesse enorme de outros países de ganhar, de ter para si a soberania da Amazônia.” Também disse que a Polícia Federal e o Ministério Público já foram acionados para investigar o caso.

No sábado 27, a Funai (Fundação Nacional do Índio) confirmou a morte de uma pessoa após denúncia de invasão de garimpeiros na Terra Indígena Waiãpi, em Pedra Branca do Amapari. “Por ora não há registros de conflito, apesar de ter sido confirmado um óbito, mas não há detalhes das circunstâncias. O local é de difícil acesso”, informou a Fundação.

O coordenador de apoio em Pedra Branca do Amapari, Kurani Waiãpi, no entanto, gravou um vídeo pedindo ajuda das autoridades para o envio de policiais federais à terra invadida. “Já teve um assassinato na quarta-feira (24) de uma liderança Waiãpi e não queremos mais a morte das nossas lideranças indígenas. Estamos pedindo socorro para as autoridades competentes”, afirmou.

Em entrevista ao jornalista Jamil Chade, do UOL, a relatora da ONU para os Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, condenou as falas do presidente. “Um dos elementos é o fato de que o presidente tem feito anúncios de que terras indígenas podem ser usadas para atividades produtivas. Essa é uma das razões que explicam a situação, além dos interesses econômicos sobre essas terras”, afirmou.

Não é a primeira vez que o presidente ataca organizações atuantes na Amazônia. Na última semana, o governo também afirmou que já tinha planos consolidados em forma de projeto de lei que legalizava garimpo e mineração em terras indígenas, ação também reiterada por Bolsonaro nesta segunda-feira 29.

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