Bolsonaro pede proteção a membros da Igreja Universal em Angola

Brasileiros são acusados de fraude por parte de pastores. Entenda

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: PR

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro encaminhou uma carta a João Manuel Lourenço, presidente da Angola, para pedir medidas de proteção a integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus, que estão em disputa interna após acusações de fraude por parte de pastores.

Na terça-feira 22, em uma ação coordenada, 35 templos de Luanda foram invadidos pelos pastores dissidentes, além de 50 outros localizados em províncias espalhadas pelo país, como Cabinda e Cunene. Em reação, a polícia deslocou agentes aos locais de culto para evitar “cenas de desacato”.

Mesmo assim, Bolsonaro pede ao presidente angolano que, “sem prejuízo dos trâmites judiciais, com seu tempo próprio, se aumente a proteção de membros da IURD, a fim de garantir sua integridade física e material e a restituição de propriedades e moradias, enquanto prosseguem as deliberações nas instâncias pertinentes”.

A carta foi publicada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, nas redes sociais juntamente com uma reportagem da Record TV, emissora do bispo Edir Macedo, fundador da Universal.

“Tendo presente o quanto Angola valoriza a liberdade religiosa e a atuação de diferentes denominações, no marco do respeito ao andamento angolano, estou seguro de que Vossa Excelência acolherá favoravelmente minhas palavras”, completa Bolsonaro na carta.

Divergências vêm desde 2019

Os pastores angolanos da Universal romperam, em novembro do ano passado, com a representação brasileira em Angola, encabeçada pelo bispo Honorilton Gonçalves. Eles alegam práticas doutrinais contrárias à religião, como a exigência da realização de vasectomia e da castração química, além de evasão de divisas para o exterior.

Em entrevista à RFI, o pastor angolano Silva Matias afirmou que a ruptura aconteceu porque “muitos crimes e muitas irregularidades têm sido cometidos pela liderança brasileira”. Entre as denúncias, Matias cita o racismo por parte dos membros da instituição no Brasil, entre eles, o bispo Edir Macedo.

“Em uma reunião fechada, uma conferência que ele fez conosco, ele disse que nós, pretos, temos essa aparência porque nossos ancestrais, nossas mães, quando concebiam, tinham muito contato com macacos. Isso foi uma tremenda aberração e uma autêntica falta de respeito, vindo dessa pessoa que é líder fundador da igreja”, afirma.

 

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