Bolsonaro insiste em decreto contra máscaras e defende cloroquina em discurso

Ao fim de motociata, presidente repete mentiras e debocha de quem o acusa de ser 'genocida'

Foto: Reprodução

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Política,Saúde

Ao fim da motociata realizada neste sábado 12 em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o isolamento social, defendeu a implementação de um decreto contra máscaras e advogou pelo uso de hidroxicloroquina em um longo discurso feito para apoiadores em frente ao Parque do Ibirapuera.

“Propus que estudasse a possibilidade, levando em conta a ciência, se podemos sugerir a não obrigatoriedade de máscara para quem já contraiu o vírus ou para quem já foi vacinado. Quem porventura for contra essa proposta de não impor a máscara para quem já foi vacinado, é porque não acredita na ciência. O vacinado não tem como transmitir o vírus”, discursou.

As alegações são falsas, já que cientistas e a comunidade médica indicam fortemente a utilização da proteção enquanto o vírus ainda circula de forma intensa entre as pessoas — tal qual a atual situação do Brasil.

Bolsonaro também afirmou que “não tem nada comprovado cientificamente” para combater o coronavírus em seu novo posicionamento favorável a remédios ineficientes contra a Covid-19.

“Estou aqui para salvar vidas, é um remédio baratíssimo. O que tem no momento no mundo comprovado cientificamente para combater o vírus?”, disse. “Eu, com 65 anos de idade, fui acometido por Covid, e tomei hidroxicloroquina. No dia seguinte, estava curado. Pode ter certeza. Hidroxicloroquina, ivermectina, que não faz mal nenhum”.

 

 

O presidente também voltou a repetir que o Tribunal de Contas da União indica uma “supernotificação” de mortes de Covid-19, o que já foi desmentido pelo órgão e levou ao afastamento do servidor que o manipulou.

Ao falar sobre políticos da América Latina, alegou que quem o chama de genocida “nem sabe o que é isso”. “O socialismo e comunismo é muito bom para quem está no poder. Ao resto, para o povo todo, inclusive tivemos alguns poucos casos, de alguém falando coisas como ‘genocida’. Nem sabem o que é isso”.

Bolsonaro estava acompanhado dos ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Marcos Pontes (Ciêncie, Tecnologia e Informação) e demais membros próximos do governo no carro de som. Nenhum deles usava máscara. Mais cedo, o governo de São Paulo afirmou que multou o presidente por descumprir o decreto estadual.

No discurso, Bolsonaro ainda chamou João Doria, governador de São Paulo, de “ditador” e reiterou que é contra isolamento social — e à favor do “isolamento vertical”, inexistente do ponto de vista científico.

Depois, mentiu sobre a eficácia do distanciamento para a redução de casos, prática utilizada em todo o mundo e recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

“O isolamento praticado no Brasil, em especial em São Paulo, não encontra fundamentação científica para tal. Sempre falei em isolamento vertical. O meu governo não fechou o comércio, não decretou lockdown, não impôs toque de recolher, quem fez isso, fez errado”.

 

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